No varal da Vall, a raiz afro

Expondo turbantes, colares, brincos e vestimentas de motivos africanos, ela chamou a atenção dos moradores do Morro dos Prazeres

Por thiago.antunes

Rio - Tudo começou há um mês, quando Vall Neves, 46 anos, abriu sua loja na entrada do Morro dos Prazeres. Expondo turbantes, colares, brincos e vestimentas de motivos africanos, chamou a atenção dos moradores, que se no início acharam os trajes estranhos, pouco a pouco trocaram a desconfiança pela admiração. Assim, o ‘Varal da Val’ se firmou na favela e começou a ditar a moda afro na cena local — que tem na festa Black Santa sua principal vitrine negra.

Varal da Vall atraiu moradores de Santa TeresaCacau Fernandes / Agência O Dia

“Estou muito satisfeita aqui no Prazeres”, conta Vall, que aproveita o movimento turístico da favela, por conta do Caminho do Grafite, para reforçar a identidade da favela com sua origem. “As pessoas não estavam acostumadas a ver mulheres de turbante, com roupas mais comportadas. Estamos resgatando esta raiz ”, emenda. Vall começou com seu ateliê no Fallet, onde ainda mora, e agora dá seu passo mais ousado.

Crianças e eleição

Pesquisa da jornalista Simone Ronzani com as crianças da favela da Grota, em Niterói, revelou curiosidades sobre como os pequenos enxergam as eleições. Simone conta que 48% das crianças escutadas sabiam dizer os nomes dos cargos que estão em disputa nesta eleição, de deputado estadual a senador, e que apenas 12% não sabiam que haverá eleições.

Criadora do projeto ‘Recontando’, que explica às crianças temas importantes para a cidadania na vida adulta, Simone mantém a pesquisa no ar no site http://bit.ly/1qh0z1E. Outra curiosidade trata da boca de urna: 41% das crianças escutadas não sabiam explicar o que significa. Dentre os que sabiam que boca de urna é tentar induzir o eleitor a votar em alguém no dia da votação, na entrada da seção eleitoral, 26% defenderam que ela deveria ser feita, apesar de ser ilegal.

Afroreciclável

O uso de material reciclável — “pelo menos 80% do que produzo” — é motivo de orgulho. De banners, como os usados pelos políticos em época de campanha, faz carteiras e bolsas. Já o material plástico aparece em suas pulseiras, assim como o metal é utilizado para sustentar os turbantes e a madeira é a base dos brincos. “É uma moda afrocontemporânea.”

Exemplo na favela

Agora vendendo em média cinco peças por dia — “mas varia muito” , Vall teve de contratar costureiras para ajudá-la a dar conta dos pedidos. Afinal, “o Prazeres é uma comunidade de fácil acesso e as pessoas, muito receptivas”, diz. Vall se orgulha ainda mais de servir como exemplo para as mulheres da favela. “Eu mostro que todos podem ter seu próprio negócio.”

Mais luz para o campinho da Mineira

Entregue há pouco mais de duas semanas, a iluminação com lâmpadas led no campo da Mineira, no Catumbi, vai ser reforçada. Gerada pelos próprios jogadores graças a um sistema que capta a energia dos peladeiros com placas, ela não tem dado conta da demanda. Às quatro torres se juntarão mais duas, com placas vindas da China, que ajudarão a melhorar a visibilidade. A energia, no entanto, continuará a ser, exclusivamente, feita pelos jogadores. A iniciativa da Shell agradou os moradores da favela, orgulhosos do campinho.

Mangueira

A Roda de Samba de Terreiro volta esta segunda ao Centro Cultural Cartola, na Mangueira, com Tiãozinho da Mocidade e a própria Mocidade Independente de Padre Miguel.

Poesia na escola

A Escola Municipal João Goulart, em Vila Isabel, que serve à criançada do Macacos, recebe o projeto ‘Grandes Poetas Brasileiros’, e transforma seus muros em varais de poesia.

Alemão LGBT

O Alemão faz amanhã, às 15h, a segunda edição de sua Parada LGBT, organizada pelo morador Luiz Moura, o Guinha, personagem do filme ‘Favela Gay’, de Cacá Diegues.

Prazeres

O projeto ReciclAção, que incentiva a coleta seletiva no morro dos Prazeres, faz mutirão hoje no Campão da comunidade, junto com a Comlurb e a Prefeitura, a partir das 8h.

Eixo Rio

O Instituto Eixo Rio, plataforma de articulação da prefeitura para potencializar a cena urbana da cidade, já deu seu ok para a grafitagem do muro da escola Stella Maris, no Vidigal. Lá ficam o ponto de kombis da comunidade e o projeto Telhado Vivo, do arquiteto Guto Graciano.

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