Rocinha vira documentário pela lente dos moradores

Filmes e fotos de 90 jovens e adultos que convivem na favela serão apresentados hoje como trabalho final do curso ‘Regiões Narrativas’

Por thiago.antunes

Rio - Quatro documentários, um curta de animação e mais de 100 fotos retratando o cotidiano da maior favela do Brasil, a partir da visão de 90 jovens que vivem ou passam pela comunidade diariamente. Este é o ‘cardápio’ que a Rocinha oferece a partir desta quinta, com a mostra do projeto Regiões Narrativas, na Biblioteca Parque local.

“Juntamos a palavra e a imagem para os alunos narrarem a trajetória de seus territórios”, afirma Teresa Guilhon, coordenadora executiva da ONG O Instituto, criadora do curso. “Demos autonomia ao morador para refletir a criação artística e seu percurso na cidade.” Durante nove meses, os jovens aprenderam técnicas de filmagem, edição, roteiro, animação e fotografia, divididos em três módulos de três meses cada.

Jorge Eugênio%2C o mais velho da turma (C)%2C posa com os colegasJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

“Hoje sei que as fotos precisam ser pensadas”, filosofa o comerciante Jorge Martins Eugênio, 60 anos, na favela há 38 e uma das exceções da faixa etária — em geral de 16 a 40 anos. “Os mais velhos também precisam se narrar. Eles têm muito a dizer”, justifica Teresa. Para ela, traduzir em imagem a visão dos alunos é importante para eles se verem como produtores, artistas e criadores de expressões.

Em meio aos formandos, uma surpresa: a advogada Bárbara Brasil, de 23 anos, moradora da Tijuca, que conseguiu vencer suas barreiras e entrou na maior favela do país. “Eu via o noticiário na TV, mas mesmo assim vim e fiz grandes amigos. Agora sinto que pertenço mais a minha cidade.” O trabalho final, que será exibido hoje, aborda a proibição de bailes funks em favelas com UPPs, e tem tudo para virar um documentário maior. “Só falta patrocínio.” Alguém se habilita?

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