No Morro da Mineira, obra de contenção de encosta vira presente natalino

Área que ameaça 200 casas será concretada após 20 anos de luta

Por adriano.araujo

Rio - Nem o campo de futebol sustentável, nem a quadra reformada: o presente de Natal da Mineira, favela que fica no Catumbi, foi o anúncio do início das obras de contenção de encosta, dia 5, na Rua das Torres e na Assembleia, região central da comunidade no Catumbi. A notícia foi recebida com festa pelos moradores.

A contenção de concreto será estendida sobre a área coberta por matoDivulgação

“Já sonhamos com esta obra há pelo menos 20 anos”, diz Pedro Paulo Ferreira, presidente da Associação de Moradores da favela. “A prefeitura demarcou a área como de alto risco. Já tivemos duas obras do Favela-Bairro aqui e nunca mexeram nela.”

As áreas foram licitadas este mês e fazem parte de um pacote da GeoRio — empresa municipal que cuida das encostas —, que alcançará ainda os morros do Prazeres, Escondidinho, em Santa Teresa, e Complexo do Turano, no Rio Comprido, além de outras favelas.

Segundo Pedro Paulo, são mais de 200 casas ameaçadas pela encosta, que volta e meia sofre pequenos deslizamentos. A parte de cima já está concretada, mas quando chove a população fica apreensiva. “Esta obra só começaria no meio do ano, mas conseguimos antecipá-la”, disse o presidente da Associação de Moradores.

Apesar da definição sobre as obras em 2015, apenas três comunidades começam o ano com intervenções — Mineira, Bananal e Clara Nunes, no São Carlos.

“As obras só começam agora porque antes tivemos de fazer um mapeamento de todas as regiões em áreas de risco da cidade”, explicou o presidente da Geo-Rio, Márcio Machado: “Esta é a quarta etapa do Plano de Intervenções no Município do Rio: mapeamento, sistema de alarme, diagnóstico e intervenção.”

Segundo o presidente da GeoRio, das 196 comunidades mapeadas desde a tragédia das chuvas de 2010, 177 apresentaram riscos de deslizamento: “Em 2011 descobrimos que a cidade tinha 29 mil moradias em áreas de risco, sem precisar quantas pessoas viviam nestas residências. Sem este mapeamento inicial não era possível planejar as ações. Por isso a demora.”

A fase atual de intervenções faz parte do PAC 2.

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