Por tabata.uchoa
Publicado 28/12/2014 22:09 | Atualizado 28/12/2014 23:39

Rio - Espaço mais democrático do Rio, a praia foi palco de um encontro emocionante na semana passada, quando sete crianças do Fallet fizeram Stand Up Paddle em Copacabana. A iniciativa da Soul Rio, empresa que atua nas areias do Posto Seis, fez a alegria dos jovens da favela de Santa Teresa, escolhidos a dedo pela coordenadora da Associação Fallet Embalando Crianças, Regina Rainho.

Um dos instrutores da Soul Rio mostra o movimento que os adolescentes precisam fazer ao chegar no mar para remarJoão Laet / Agência O Dia

“Tô com um pouco de medo. Será que vou conseguir ficar em pé?”, perguntava Pedro Gabriel Rodrigues, 14 anos. “Minha mãe tá com medo de eu me afogar porque não sei nadar”, emendava Thalita de Souza, também de 14. “Mas eu vejo sempre na TV. Quero aprender.”

Depois da pequena aula sobre as origens do esporte, criado na Polinésia, e a importância de se respeitar o meio-ambiente, o grupo foi para seu maior desafio: a água. “A garotada de favela tem um potencial imenso. Já trabalho com os meninos do Pavão. São sérios e focados”, conta Luiz Felipe Alecrim, o ‘Lepô’, dono do negócio.

Se no começo da aventura os meninos sentiam medo, com o tempo eles foram se soltando. Primeiro de joelhos, depois de pé, remaram, brincaram, aproveitaram a correnteza e ficaram uma hora dentro do mar. De lá, viram Copacabana de outro ângulo, o forte do Posto Seis e seus canhões, a favela do Pavão/Pavãozinho, o Leme e a beleza de um dia de sol na Zona Sul.

Tudo perfeito para quem vive uma realidade de dificuldades, abandono e violência. Como disse Odair Alexandre, 16 anos, no início foi difícil, mas nem deu tempo de pensar em desistir. “Tentei ir pro fundo, cai, fiquei de joelhos e me levantei. Depois que consegui ficar em pé, ficou fácil.” Sem querer, o menino falou da sua vida. Que eles sigam em pé...

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