Por bianca.lobianco

Rio - A notícia do reconhecimento do Cais do Valongo como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco, que deve ser oficializada em janeiro, como O DIA publicou ontem, foi recebida com alegria por militantes do movimento negro. Estima-se que até um milhão de escravos tenha chegado ao país pelo local, na região portuária do Rio. Para Marcelo Dias, presidente da Comissão de Igualdade Racial da OAB-RJ, o aval comprova a importância do negro na história do país. “Este reconhecimento é fundamental, pois tudo começou no Valongo”, afirmou.

A presidente do Ipeafro (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-brasileiros), Elisa Larkin Nascimento, diz que o Valongo é uma espécie de testamento sobre a enorme fortaleza e resistência do povo negro “e de sua herança cultural, que não se resume apenas ao folclore e ao lúdico”. Viúva do ex-senador e líder negro Abdias Nascimento, ela lembra que o local teve grande importância para o marido, falecido no Hospital dos Servidores, ao lado do Cais, em 2011.

Cais do Valongo simboliza resgate da herança da cultura africana no RioJoão Laet / Agência O Dia

Merced Guimarães, presidente do Instituto de Pesquisas e Memória Pretos Novos, construído em um antigo cemitério que recebeu, entre os séculos 18 e 19, ao menos 50 mil crianças e adolescentes escravizados e que morreram ao chegar da África, destaca a valorização das vidas perdidas ali. “É um reconhecimento de um momento na história brasileira que tinham a intenção de esquecer.”

Segundo Milton Guran, presidente da comissão que reúne a prefeitura e o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o maior mercado escravagista do país era responsável pela chegada de um quarto dos negros do Novo Mundo. “É um importante sítio de memória da diáspora africana nas Américas, o único vestígio físico da chegada de africanos.”

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