Por nicolas.satriano

Rio - Hoje, a Abolição da Escravatura completa 127 anos e o Instituto Nêga Rosa traz ao debate ‘O que é ser negro e morador de favela’. Através de aulas de turbantes, indumentárias e culinária, mulheres do Arará, Barreira do Vasco, Mandela, Mangueira, Manguinhos, Jacarezinho e Rio das Pedras estão descobrindo que ser negra é muito mais do que a cor da pele.

“Empoderamos as mulheres porque elas são as multiplicadoras das ações”, acredita Érica Portilho, 36, do Cinequanon, que gere o Nêga Rosa mais 16 projetos de fortalecimento afrobrasileiro. “O conhecimento é a maior riqueza. Conversamos muito sobre a importância de cada item.” Érica afirma que o turbante é a coroa das africanas, uma forma de proteção e também de coroação. “Ele trabalha o embelezamento.”

Érica e amigas da Nêga Rosa%3A valorizar e mostrar a importância do negro na formação da cultura do paísDivulgação

Segundo o Geledés Instituto da Mulher Negra, que pesquisa trabalhos de empoderamento afrobrasileiro, ações de valorização como esta combatem o imaginário social que marginaliza e estigmatiza a cultura negra — o que impede que ganhe sua valiosa contribuição na formação do caldo cultural brasileiro ganhe destaque.

Vânia Rodrigues da Silva, 48 anos, da Associação de Moradores da Barreira do Vasco, exalta a importância das ações do Nêga Rosana favela. “Os nordestinos têm muito preconceito e até mesmo os próprios negros. Às vezes proibem os filhos de se misturarem com outros ‘negrinhos’.”

Para Sílvia Oliveira, 36, da ONG Retalhos Cariocas, que atua na Barreira, a autovalorização é perceptível. “Dia desses veio uma menina me perguntar se eu tinha algum pano para ela fazer um turbante.” Agora a ansiedade de Sílvia é pela volta da Nêga Rosa, que dará cursos nas favelas que receberam ações a partir de julho.

Branca negra

Moradora de Rio das Pedras, Sandra Lima se considera negra, apesar da pele branca. Tudo proque desde pequena foi adotada e criada por uma família de negros.

“Nós, brasileiros, somos todos mestiços, negros, indígenas. Somos fruto das nossas experiências.” Em abril participou de uma ação de conscientização do Nêga Rosa. “Me vestiram de Oxumaré.”

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