Por daniela.lima

Rio - Queila, Valéria, Aparecida, Stéfany. Mulheres que até alguns meses não se conheciam, mas dividiam em comum o desejo de ganhar autonomia financeira. O caminho para elas e que outras 281 moradoras do Complexo da Maré encontraram foi a arte, em oficinas lecionadas pela ONG Favela Mundo, no primeiro semestre. 

Trabalho da ONG Favela Mundo é desenvolvido com crianças e adultos em áreas em conflitos e em risco social em diversas partes da cidadeRenata Ferrer / Divulgação


Queila da Silva Pereira, 25, moradora da Baixa do Sapateiro, aprendeu maquiagem social e se encantou pela artística. “Achei que seria um curso normal, de aprender a fazer um olho, uma boca, mas foi completo”, elogia. “Por mim, poderia durar mais um ano. Eu viria todos os dias.” Agora ela, que amargava o desemprego, está na dúvida entre duas vagas. “Saímos do curso formados, capacitados para gente enfrentar esse mundo todo.”

Valéria Santana, 48, moradora do Pinheiro, já trabalhava como depiladora, mas sonhava em melhorar sua renda com um curso de manicure. “Estou arrebentando, às segundas trabalho das 7h até 20h sem parar. Estão surgindo mais oportunidades”, comemora.

Aparecida Lopes Bento, 53, da Maré, aprendeu a fazer arte nas unhas e também enfrentava a falta de renda. “Agora estou trabalhando num salão em Copacabana e lá sou a única que trabalha com unhas decoradas. É meu diferencial.”

Já Stéfany Pereira Rago, 18, moradora do Fogo Cruzado, aproveitou a oportunidade dos cursos gratuitos para estudar tudo que pôde. Ela fez maquiagem artística, maquiagem com próteses, maquiagem social, arte nas unhas e artesanato. “Só consegui emprego depois desses cursos”, conta.

Segundo Marcelo Andriotti, fundador da ONG que é referência para a ONU como exemplo em mediação de conflitos, além de gerar renda, os cursos acabaram unindo moradores de favelas rivais. “Foi um grande sucesso, mesmo a Maré passando pelo processo de pacificação. Os alunos separados pelo poder paralelo se conheceram aqui.”

Para o segundo semestre a Favela Mundo voltará à Maré com cursos focados no mercado carnavalesco, desde a criação de fantasias e alegorias até a maquiagem para as beldades da Passarela do Samba. ONG atua em quatro núcleos: Cidade de Deus, Vargem Grande, Engenho de Dentro e Maré. “Temos ex-alunas trabalhando em escolas de samba e até mesmo ministrando cursos pela cidade”, conta Marcelo. 

Inscrições abertas na Zona Norte

Quem quiser se inscrever em um dos cursos da unidade Engenho de Dentro, na Zona Norte, a hora é agora: há vagas para decoração de unhas, maquiagem social, maquiagem artística, artesanato, inglês, danças brasileiras, balé, jazz, capoeira, teatro, violão, desenho e reforço escolar. As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta, das 10 às 17h na Rua Pernambuco 1.161. É preciso apresentar uma foto 3x4, cópia da identidade, CPF e comprovante de residência.

Segundo Marcelo Andriotti, as alunas que já foram capacitadas na Maré receberão capacitação em empreendedorismo no mês que vem, e as novas vagas para os cursos voltados para o mercado carnavalesco abrem inscrições em setembro na Rua dos Caetés 7, no Morro do Timbau. “Queremos promover os cursos para que elas possam ter oportunidades além de uma empresa formal, de abrir os seus próprios”, ressalta ele.

Marcelo afirma que a meta na Maré é capacitar mais 500 pessoas ainda este ano. “É o resultado da mobilização dos alunos que fizeram um abaixo-assinado enorme pedindo a continuidade”, revela.

Em julho, a Favela Mundo inicia suas atividades na Cidade de Deus. “Nossa meta é atender pelo menos 400 crianças, jovens e adultos através de aulas de danças (de rua, afro e balé), teatro, violão (para crianças e jovens até 18 anos) e maquiagem, artesanato e arte nas unhas (para maiores de 16 anos)”, planeja.

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