Incêndio atinge a Feira de São Cristóvão

Bombeiros do Posto Avançado do bairro foram para o local

Por O Dia

Rio - As lições da tragédia na Boate Kiss, em Santa Maria (RS), que deixou 242 mortes em janeiro, parecem já terem sido esquecidas pelas autoridades. Dois estabelecimentos foram destruídos e outros três atingidos em um incêndio no Centro de Tradições Nordestinas, a Feira de São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, por volta das 22h deste domingo.

Bombeiros de quatro quartéis foram acionados e conseguiram controlar o fogo após uma hora de combate. O espaço, com 700 barracas e 34 mil metros quadrados conta apenas com quatro bombeiros civis na brigada de incêndio e eles não conseguiram conter as chamas com extintores e hidrantes. Houve pânico e correria entre os frequentadores que ainda estavam no local. Por sorte, ninguém ficou ferido.

Incêndio destruiu alguns estabelecimentos na Feira de São CristóvãoOsvaldo Praddo / Agência O Dia

"A situação foi incontrolável. Tentamos atacar o foco, mas não conseguimos e se tornou um incêndio de grandes proporções", confessou o brigadista Francisco de Assis, 44. Para o tenente-coronel Luiz Eduardo Firmino, que comandou a tropa na operação, a Feira de São Cristóvão terá que rever procedimentos, treinamento, efetivo e equipamentos para evitar uma possível tragédia.

"Eles (os brigadistas) estavam atônitos e não conseguiram nenhum sucesso, o que poderia causar uma desgraça, pois há muito material inflamável e botijões de gás aqui", avaliou o militar.

Transferida para dentro do antigo Pavilhão de São Cristóvão em setembro de 2002, a feira conta com coberturas de lona que a Prefeitura do Rio, na ocasião, afirmou serem antichama. "Essas lonas não pegaram fogo", afirmou Firmino. "Mas derreteram", contestou Severino Luiz dos Santos, 67, dono da Barraca do Bigode. "Minha loja fica a 50 metros do incêndio, mas fiquei muito assustado, pois era muito fogo", relatou Severino.

O incêndio teria começado, de acordo com os bombeiros, em um aparelho de ar-refrigerado de uma loja de materiais descartáveis. "Foi um susto muito grande e começamos a jogar água de balde, mas o fogo só aumentava. Foi um nervosismo só e os últimos clientes saíram em disparada com medo", contou o garçom do restaurante Mandacaru, Sebastião Batista da Silva, 48.

Presidente da feira, Elismar Leite, 50, reconheceu que o local é frágil. "A feira é uma lona, como se fosse um circo. Ainda bem que ninguém ficou machucado, pois temos sinalização e saídas de emergência", minimizou. "Graças a Deus, era domingo, quando o movimento é pequeno a essa hora. Se fosse sexta ou sábado, ia morrer gente pisoteada, já que isso aqui fica abarrotado e eu vi muitos correndo", alertou Gustavo Almeida, 30, que trabalha em uma loja de roupas.

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