Por camila.borges
Publicado 06/12/2013 11:49 | Atualizado 06/12/2013 17:05
Rua Comandante Rubens Silva%2C na Freguesia%2C amanhece alagadaseguidor %40jairhsmelo

Rio - A forte chuva que atingiu o Estado do Rio de Janeiro na noite desta quinta-feira deixou bastante estrago e prejudica a circulação dos motoristas que ainda encontram, na manhã desta sexta-feira, bolsões d'água e ruas interditadas por poste e árvores caídas nas vias.

Na Zona Norte da cidade, a Rua Campos Sales, em frente a sede do América Futebol Clube, na Tijuca, está interditada entre a Rua Martin Pena e a Doutor Satamini, devido a queda de árvore. A opção para o motorista é seguir pela Rua Professor Gabizo. No Rio Comprido, árvore caída ocupa uma faixa da Rua Barão de Sertório, altura da Rua Barão de Itapagipe e causa retenção no local.

Também na Zona Norte, a Rua Cândido Benício, no sentido Cascadura, próximo ao Mergulhão de Campinho, ainda está com bolsão d'água e complica a passagem dos carros. Um poste caiu e interditou a Rua Teles, no Campinho, altura da Rua Ana Teles, onde o desvio ao tráfego é feito, no sentido Cascadura. O trânsito é intenso no local. 

Na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, no trecho antes do Hospital Cardoso Fontes, sentido Grajaú, uma árvore caiu e ocupa uma faixa, causando lentidão no local.

Na Zona Oeste, a Rua Comandante Rubens Silva amanheceu completamente alagada, entre a Estrada dos Três Rios e Rua Araguaia, na Freguesia. Já na Estrada Japoré, na Vila Militar, um bolsão d'água também dificulta a passagem dos carros.

Árvore tomba na Autoestrada Grajaú-Jacarepaguáseguidor %40MolineroLinux

Mulher morre em Nova Iguaçu e outra fica ferida em Petrópolis devido ao tempora

Uma mulher de 60 anos, identificada até o momento como Vera Lúcia, morreu soterrada após o desabamento da parede da casa onde morava, na Rua Cinco, sub bairro Ouro Fino, em Comendador Soares, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, na noite desta quinta-feira. A queda ocorreu em consequência do temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro e o transbordamento do Rio Botas. Mesquita e São João de Meriti foram um dos municípios mais atingidos da região.

Em Guaratiba, na Zona Oeste, uma mulher morreu e outra ficou ferida. Elas estavam em um carro, na Estrada Roberto Burle Marx, trecho quase em frente ao sítio do paisagista, quando uma árvore caiu e atingiu o veículo. Leila dos Santos, 45 anos, morreu no local e Márcia Camargo, 43 anos, ficou ferida. Márcia está internada no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca e o corpo de Leila está no IML. O acidente aconteceu por volta das 22h desta quinta-feira.

Temporal alagou ruas e complicou vida dos motoristasOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Em Petrópolis, na Região Serrana, uma mulher teve escoriações após o desabamento de uma casa na Rua Professor Estoles, lote 2, bairro Quarteirão Brasileiro. Ela foi socorrida no Hospital Santa Teresa. O Rio Quitandinha está em estágio máximo de alerta de transbordamento, assim como o Rio Sarapuí, que corta os município de Nilópolis, Belford Roxo, Mesquita e Duque de Caxias.

O município do Rio entrou em Estágio de Atenção, devido a núcleos de chuva, associados à passagem de uma frente fria, pouco depois das 20h. Cerca de duas horas depois, as regiões das bacias de Jacarepaguá e da Guanabara entraram em Estágio de Alerta, o terceiro nível de uma escala de quatro, que prevê ocorrência de chuva forte, podendo causar alagamentos e deslizamentos isolados. A cidade só voltou ao Estágio de Vigilância, o primeiro da escala, às 5h15.

Devido ao elevado índice de acumulado pluviométrico registrado na região da Grande Tijuca, Jacarepaguá e parte da Zona Sul foi acionado, de forma preventiva, o Sistema de Alerta e Alarme Comunitário da Prefeitura do Rio. As sirenes das comunidades Formiga, Borel, Travessa Antonina, Comandante Luiz Souto, Barão, Rocinha e Vidigal foram disparadas a partir das 21h50 e os moradores orientados por agentes comunitários e da Defesa Civil a se dirigiram aos pontos de apoio distribuídos pelas sete comunidades. Na região da Grande Tijuca, choveu 88 mm em apenas uma hora, segundo o Centro de Operaçõesda Prefeitura.

Comlurb retira banca arrastada pelo temporal na LeopoldinaOsvaldo Praddo / Agência O Dia

Em toda a cidade, os transtornos se repetiram mais uma vez após o temporal: árvores caídas, bolsões de água, sinais de trânsito apagados, trânsito confuso e falta de energia. Na localidade conhecida como Chave de Ouro, no Engenho de Dentro, na Zona Norte, falta luz desde às 22h de quinta-feira. Na Rua Borja Reis, no acesso ao sentido Barra, da Linha Amarela, um grande bolsão de água se formou. No Méier, várias ruas estão com lixo, lama, areia e pedaços de troncos espalhados. Na Rua Lopes da Cruz, uma árvore caiu em frente ao Colégio Metropolitano e impede o tráfego na via.

A Zona Sul foi uma das regiões mais atingidas da capital fluminense. Bairros como Lagoa, Botafogo, Humaitá, Jardim Botânico ficaram com as ruas alagadas. Os bolsões de água se multiplicaram na região. Sinais de trânsito apagados deixaram o trânsito complicado até o início da madrugada de hoje. Em Copacabana e no Aeroporto Santos Dumont os ventos chegaram a 80km/h.

Chuva também provocou estragos em Nova Iguaçu. Uma mulher morreuLeitora Lynda Sampaio

O temporal e a ventania também danificaram a rede aérea em vários bairros, entre eles Méier, Jacarepaguá, Campo Grande e Barra da Tijuca, além de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em nota, a Light informou "que mobilizou o maior número de equipes extras, totalizando cerca 450 profissionais, para normalizar o fornecimento de energia nos locais onde a rede elétrica foi atingida por árvores, galhos e objetos". Pelo menos 128 pontos ainda estão sem luz na manhã desta sexta-feira, ainda segundo a empresa.

Banca de jornais é arrastada pela água

Os acessos ao Centro também sofreram as consequências do vendaval e do temporal da noite de quinta-feira. A Praça da Bandeira mais uma vez ficou alagada e teve que ser interditada por cerca de duas horas. Carros naufragaram e foram arrastados pela água. No local está sendo construído um dos cinco reservatórios profundos de água, o chamado Piscinão, para o controle de enchentes na região da Grande Tijuca. O prazo de entrega da obra estava previsto para outubro desde ano.

Na Avenida Francisco Bicalho, em São Cristóvão, em frente a estação da Leopoldina, a força da água arrastou uma banca de jornais para o meio da pista lateral, sentido Centro. A estrutura ficava presa a estruturas de ferro, mas não resistiu a correnteza. Segundo a jornaleira Cristiane da Silva, de 35 anos, o prejuízo é calculado em cerca de R$ 2 mil.

"Nunca vi nada assim. Um vizinho passou, viu e me ligou. Tomei um susto quando vi a banca no meio da rua. Ainda bem não tinha ninguém dentro e não feriu ninguém. Aqui na Leopoldina sempre alaga em dia de chuva forte", relatou a funcionária, que trabalha a quatro anos no local. Segundo ela, só a mercadoria de revistas estava avaliada em R$ 1 mil. Também eram vendidos cigarros, jornais, refrigerantes e raspadinhas.

Incerteza na volta para casa

Voltar para casa após o temporal gerou incerteza e se tornou um verdadeiro teste de paciência para quem foi surpreendido pela chuva e tentou deixar o Centro do Rio. Depois da chuva, pontos de ônibus nas avenidas Presidente Vargas e Rio Branco ficaram lotados. Em alguns bairros como Méier e Engenho de Dentro, na Zona Norte, vários ônibus deixaram de circular em direção ao Centro.

Por volta das 2h, o gerente comercial Magno Leandro, de 30 anos, aguardava a cerca e uma hora por uma van para Campo Grande, na Zona Oeste. Como não havia mais ônibus para a região da Estrada do Mendanha, ele teria que desembolsar R$ 8. A chuva, porém, acabou tornando escassa a opção pelo transporte alternativo.

"Muitos motoristas estão com medo de se arriscar nos alagamentos ou estão presos nos congestionamentos. Não tenho outra opção. O jeito é esperar. Já sei que em Campo Grande está sem luz", disse ele, já prevendo uma nova dificuldade para chegar em casa.

A chuva atrasou em duas horas a saída do trabalho do motorista de ônibus Agnaldo Marcílio, 47, que largou à meia-noite. Às 2h30 na Central do Brasil, ele era o retrato da incerteza para chegar em casa, em São Gonçalo, na Região Metropolitana.

"Não sei se ainda tem ônibus, nem se tem alguma van daqui para lá direto. Não estou acostumado a pegar condução nesse horário. A essa hora já estava em casa dormindo", disse irônico, planejando como alternativa fazer baldeação em Niterói.


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