Greve: Passageiros voltam a enfrentar transtornos no segundo dia sem ônibus

Apesar de secretário falar de mais ônibus nas ruas, usuários tiveram dificuldades. Na Baixada, incerteza marcou quarta-feira

Por O Dia

Rio - Mesmo com a declaração do secretário municipal de Transportes, Alexandre Sansão, de que mais ônibus circulariam nas ruas do Rio nesta quarta-feira, o fim da madrugada e início de manhã foi de mais transtornos para quem se arriscou em sair de casa para trabalhar. Na Central do Brasil, por exemplo, ponto de integração entre ônibus, trens e metrô, as filas se estendiam e prolongavam o sofrimento dos passageiros.

Ontem, o TRT-RJ determinou o retorno de 70% do efetivo total dos rodoviários do município, mas, de acordo com secretaria de Transportes, apenas 18% da frota estava nas ruas nesta manhã. Com isso, os pontos ao longo de vias expressas, como Avenida Brasil, e na Avenida Presidente Vargas, ficaram cheios. Hoje, de acordo com a Rio Ônibus, 10 ônibus foram depredados.

>>> GALERIA: Segundo dia de greve causa transtornos aos passageiros

Passageiros enfrentaram longas filas para embarcar em ônibus na Central do BrasilFoto%3A Carlos Moraes / Agência O Dia

O BRT Transoeste, que começou a operar com 40% de sua frota ontem pela manhã, nesta quarta-feira iniciou sua operação com 50% dos coletivos circulando no eixo Barra da Tijuca - Santa Cruz e estendeu ainda pela manhã para 55%. No entanto, segue suspensa a circulação no eixo da Avenida Cesário de Melo, que atende a região de Campo Grande. "Não temos ônibus suficiente para atender aquela região", explicou o Alexandre Sansão. Trens, metrô e barcas também seguem com o reforço em suas operações, assim como os ônibus que estão circulando estão dando prioridade a ligação com outros modais e a áreas não atendidas por outros meios de transporte.

Assembleia nesta quinta-feira

De acordo com Hélio Teodoro, um dos líderes do movimento grevista, 20% dos ônibus estavam rodando na cidade nesta manhã. Segundo ele, houve um rodízio e quem ontem trabalhou hoje não está rodando.

Nesta quinta-feira, uma assembleia às 16h na Candelária vai decidir os rumos da greve, que pode ter mais 24h ou 48h de paralisação. "Ninguém nos procurou para negociar até agora", reclamou Hélio.

Ameaça de greve de rodoviários angustia passageiros na Baixada Fluminense

Fim de madrugada e início de manhã de quarta-feira de incerteza para passageiros da Baixada Fluminense com a decretação da grave de rodoviários a partir de 0h, em cinco municípios da região, em apoio a motoristas e cobradores da capital fluminense, que entram no segundo dia da paralisação de 48 horas. Representações dos rodoviários e do sindicato patronal dizem que o movimento foi deflagrado por um pequeno grupo sem representatividade.

De acordo com a TransÔnibus, que representa as empresas de ônibus de Nova Iguaçu, São João de Meriti, Nilópolis, Belford Roxo e Mesquita, "a paralisação teve baixo alcance, provocando atrasos na saída de ônibus de poucas garagens. Apenas um ônibus foi alvo de vandalismo". A expectativa da entidade é de que até às 10h toda a frota esteja operando. Até o momento, nenhum representante dos grevistas foi encontrado para falar sobre o movimento desta quarta-feira.

Passageiros levaram muito tempo para embarcar em Nova IguaçuOsvaldo Praddo / Agência O Dia

O cenário era de preocupação para os passageiros que chegavam a partir das 4h na Rodoviária de Nova Iguaçu, no Centro do município. Até às 5h15, nenhum ônibus havia estacionado nas dezenas de pontos das linhas com destino ao Rio, Baixada e Niterói. O bombeiro hidráulico Adão Cosme, de 62 anos, aguardava o primeiro coletivo da empresa Evanil, que sempre sai às 4h30 para Vila Isabel, na Zona Norte do Rio.

"No Rio, sabia da greve. Aqui não. Só vou para o trabalho se for de ônibus. Se não der volto para casa", afirmou Adão, que é dono de uma loja na Tijuca, também na Zona Norte carioca, descartando a possibilidade de utilizar os trens do ramal de Japeri. "Normalmente eles já vem lotados de Japeri. Imagina hoje?"

Outro apreensivo era o vigilante Gilson Matias, 46. O ônibus com destino ao Centro do Rio, que sai do terminal de Nova Iguaçu às 4h45, não havia aparecido até às 5h30. O guichê da empresa também estava fechado. Ele foi outro que rechaçou a utilização dos trens da SuperVia. Sem expectativa, ela já previa um dia de trabalho perdido.

"Eu sabia da greve desde a véspera. Mesmo assim vim tentar. Vou esperar um pouco mais. Se não der volto para casa. A empresa já foi informada do que está acontecendo", explicou o vigilante.

Após 20 minutos de espera, Nayara de Oliveira, 22, conseguiu embarcar com a filha de oito meses, em um ônibus da Viação Nossa Senhora da Penha. O destino era o bairro da Penha, na Zona Norte do Rio, onde levaria o bebê para uma consulta. "Sabia da greve, mas vim tentar para não perder a consulta", disse, antes de embarcar.

O estoquista da Central de Abastecimento do Rio de janeiro (Ceasa), Mauro César, 43, tentava chegar até Parada de Lucas, na Zona Norte, e chegar até o trabalho, às 7h, na Penha Até às 6h, nem sinal do ônibus.

"Estou aguardando uma posição da empresa, se vão mandar alguém me buscar. Mas, também não adianta só ir. Temos que pensar na volta do trabalho também", questionou Mauro.

Paralisação dos rodoviários na Baixada Fluminense tem pouca adesão. Piquetes ocorreram em apenas três empresasDouglas Viana / Agência O DIA

No fim da tarde de terça-feira cerca de 200 rodoviários de Nova Iguaçu saíram do terminal da cidade, percorreram a Via Light e foram até a prefeitura protestando por melhores condições trabalhistas. Um dos organizadores, Wedison Barreto, de 43 anos, ressaltava que a greve era um reflexo das manifestações dos rodoviários do Rio.

"Vamos dar apoio aos grevistas do Centro da cidade porque somos contra os abusos de poder das empresas de ônibus e, aqui na Baixada, somos intimidados. Esperamos que um grande número de pessoas possam aderir a greve. Aqueles que não quiserem, não serão forçados", disse na ocasião o motorista da empresa de ônibus Lieza.

Dentre as reivindicações estão um aumento de 40% no piso salarial, que atualmente é de R$1.778; cesta básica de R$ 400, fim da dupla função, pagamento de horas extra, além de plano de saúde e tíquete-refeição de R$ 20.

A Baixada Fluminense tem cerca de 200 mil rodoviários.

Com greve na Baixada, SuperVia "reformata" operação

Com a adesão da Baixada Fluminense à greve dos rodoviários, a SuperVia "reformatou" sua operação. Além de oferecer mais lugares para a região, trens especiais foram colocados em Nova Iguaçu e Comendador Soares.

"Estamos operando com nossa capacidade máxima. Dos 1.620 milhão lugares que estamos oferecendo, foram colocados 18 mil a mais no ramal Japeri, para atender a população da Baixada", disse o diretor de operações da concessionária, João Gouveia.

A SuperVia disse que não registrou aumento na demanda de passageiros na terça-feira. Segundo João Gouveia, "isto se explica pelo fato do trem depender de outros modais, como ônibus e vans, por exemplo. O trem é um transporte de alta capacidade e ele não se alimenta por si só", falou ele.

A concessionária afirmou que segue trabalhando com seu plano de contingência. Desde as 4h30, os trens circulam com intervalos de horário de pico. Confira:

- Ramais Deodoro e Santa Cruz: intervalos variam entre 8 e 15 minutos. Foram programadas quatro viagens extras, entre 5h55 e 7h05, com partida da estação Campo Grande para a Central do Brasil, além das viagens especiais das estações Bangu, Deodoro e Madureira.

- Ramal Japeri: intervalos entre 8 e 15 minutos.

- Ramal Belford Roxo: intervalos de 15 minutos.

- Ramal Saracuruna: intervalos entre 10 e 30 minutos.

- Teleférico do Alemão: funciona normalmente.

?Colaboraram: Athos Moura e Tiago Frederico

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