Motoristas de vans organizam carreata, após proibição de circulação

Grupo se concentrou em Bonsucesso, próximo à Avenida Brasil, mas desistiu de protesto, após Prefeitura do Rio marcar reunião para a tarde desta terça-feira

Por O Dia

Rio - Mais de 500 motoristas de vans se concentraram em uma rua nas proximidades da Avenida Brasil, na altura da passarela 10, em Bonsucesso, na Zona Norte, na manhã desta terça-feira. O grupo prometia seguir em carreata até a Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, para pressionar o Governo Municipal a liberar a circulação de vans em bairros da Zona Norte, que foi proibida, através de resolução publicada pela Secretaria Municipal de Transportes no Diário Oficial do Município no último dia 27 de novembro.

Motoristas de vans protestaram contra resolução da Prefeitura que proíbe circulação do transporte alternativo na Zona NorteSeverino Silva / Agência O Dia

Após negociações com representantes da Prefeitura, como a Coordenadoria Especial de Transporte Complementar, Guarda Municipal, Secretaria de Ordem Pública e a CET-Rio, além da Polícia Militar, houve a desmobilização do ato, que atrapalharia o tráfego da principal via expressa da cidade, a Avenida Brasil, em pleno rush da manhã.

Às 14h30, representantes dos motoristas de vans se reuniram com o coordenador especial de Transporte Alternativo, delegado Cláudio Ferraz. No encontro, os líderes apontaram suas reivindicações que, segundo a assessoria do órgão, "foram ouvidas e serão analisadas pela Prefeitura". A coordenadoria afirmou ainda que "caso seja necessário algum tipo de ajuste, isso será realizado". 

Resolução do desemprego

De acordo com a organização do ato, cerca de três mil motoristas e mil cobradores ficaram sem emprego, após terem suas atividades suspensas, com a proibição da circulação de vans em bairros da Zona Norte, por meio da Resolução de número 2525, da Secretaria Municipal de Transportes, publicada no Diário Oficial do Município, no último dia 27 de novembro.

Caso, a Prefeitura não concorde em liberar a circulação de vans nos bairros da Zona Norte, a organização do evento promete fazer uma carreata na hora do rush da volta para casa, partindo do Centro em direção à Avenida Brasil.

Os organizadores do movimento alegam que entre os impactados pela decisão da Prefeitura estão "trabalhadores indiretos como cobradores que vem da comunidade, jovens que por falta de outras oportunidades de emprego na região, veem no transporte alternativo uma maneira digna de trabalho, afastando-se assim das oportunidades do crime na comunidade".

"Ressaltando que esta ação não tem cunho político ou de qualquer órgão social. São apenas cidadãos lutando por seu direito de trabalhar e repudiam qualquer ato de vandalismo durante o movimento", alegou a organização do evento em nota.

Sem vans, moradores da Ilha perdem mais tempo para chegar ao trabalho

Com a proibição da circulação das vans na Zona Norte da cidade, moradores ficaram com menos uma opção de transporte, estão levando mais tempo para chegar ao trabalho ou precisam procurar meios alternativos para se deslocarem.

Morador da Ilha do Governador, o leitor Ricardo Novaes, de 54 anos, relatou a dificuldade que vem enfrentando para chegar ao seu trabalho. Ele é gerente de condomínio na Zona Sul e estava acostumado a todos os dias usar o transporte alternativo para ir para o trabalho, mas, nesta terça-feira, ele precisou pegar um táxi até a Avenida Brasil, onde continuo seu trajeto em um coletivo.

"Eu cheguei no ponto de ônibus às 3h, quando deu 3h20 não apareceu nenhuma van. Só passavam ônibus comuns, mas não sou maluco de arriscar minha vida pegando ônibus desse tipo de madrugada para correr o risco de ser assaltado", relatou o morador da Ilha do Governador, que disse ter encontrado em contato com as empresas Paranapuã e Ideal, solicitando a elas que aumentassem a frota de ônibus do tipo frescão, que ele julga ser um meio mais seguro e mais rápido.

"Os ônibus comuns, além de sofrerem mais tentativas de assalto, não saem direto da Ilha em direção ao Centro. Antes, eles acessam o terminal da Ilha do Fundão e ficam parados lá por alguns minutos. Isso atrasa a viagem", disse.

O morador também reclamou do trajeto que coletivos comuns fazem passando por dentro do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, que, segundo ele, atrasa ainda mais as viagens. "Eles passam pelos terminais de carga e 1 e 2 do aeroporto antes de entrar para a Ilha", contou.

Sem o transporte alternativo, o morador pede que as empresas de ônibus aumentem sua frota de frescões e que estendam o horário de circulação dos mesmos. "Hoje os frescões circulam apenas das 7h às 22h", afirmou Ricardo, que disse que outra opção seria o transporte aquaviário. "Se tivéssemos mais barcas saindo do Terminal Cocotá, ajudaria muito".

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