Protesto contra Eduardo Cunha interdita vias no Centro

Grupo de manifestantes seguiu pela Avenida Rio Branco até ogabinete do presidente na Câmara no Rio, onde fizeram o enterro simbólico do parlamentar

Por O Dia

Presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nega golpe regimental e avisa que parlamentares insatisfeitos “não vão ganhar votação no berro”Câmara dos Deputados

Rio - Um protesto contra o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha reuniu cerca de 700 pessoas na Avenida Rio Branco, no Centro do Rio. A manifestação, em maioria de jovens entre 18 e 25 anos interditou a via na tarde desta terça-feira por aproximadamente uma hora. Os manifestantes são contrários à aprovação de lei que reduz a maioridade penal para 16 anos e pedem a saída do parlamentar da presidência da Casa.

Em evento no Facebook, havia cerca de 15 mil pessoas confirmadas na passeata. A concentração aconteceu na Candelária às 17h. Eles caminharam até a frente do prédio onde fica o escritório do parlamentar, na esquina da Avenida Nilo Peçanha com Avenida Rio Branco, e fizeram o enterro simbólico de Cunha. Batizaram o ato de "Enterro da democracia e da juventude negra". Os jovens gritaram as palavras de ordem "Cunha Golpista" "Cunha Ditador". Em seguida, marcharam até o Largo da Carioca, onde encerraram o ato pacífico.

Participaram integrantes da UNE (União Nacional dos Estudantes), UEE (União Estadual dos Estudantes) e os coletivos Kizomba, Voz da Baixada e Amanhecer Contra a Redução.

O estudante Jefferson Barbosa, 18 anos, líder do movimento Amanhecer Contra a Redução, discorda da pesquisa do Datafolha que aponta a maioria da população (87%) favorável à redução da maioridade penal. "Não sei como é a metodologia dessa pesquisa. A sociedade deve estar a favor porque vem sendo alimentada por programas de televisão sensacionalistas. A sociedade está com sentimento de vingança e vingança é diferente de justiça", definiu.

Na descrição da página, os organizadores do evento chamam Eduardo Cunha de autoritário e fascista.

Veja a descrição do evento na íntegra:

Não queremos mais ser conduzidos e conduzidas pelo fascismo de Eduardo Cunha! Não queremos a redução da maioridade penal!Não somos representados e representadas por este Congresso autoritário e que só opera na base do tapetão. Vamos fazer barulho neste Rio de Janeiro para lembrar que o autoritarismo não passará e que juntos e juntas poderemos barrar esta proposta de reduzir a maioridade penal e impedir que Eduardo Cunha golpeie mais uma vez a população brasileira.

O trânsito na Rio Branco e em trecho da Presidente Vargas ficou interditado por quase uma hora. O trânsito é ainda intenso. Por volta de 19h30, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou que estava liberada a Avenida Rio Branco, sentido Cinelândia e também estava liberada a pista lateral da Avenida Presidente Vargas, na altura da Avenida Passos, sentido Candelária.

Manifestantes fazem a concentração para a caminhada na Candelária. Ideia é caminhar até o gabinete do deputado Eduardo CunhaReprodução Facebook

Presidente da Câmara tem biografia recheada de denúncias

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, tem uma biografia recheada de acusações contra administrações em estatais. Indicado por Fernando Collor (presidente da República que sofreu impeachment) para a presidência da Telerj, em 1991,ele teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas da União, que apontou irregularidades na contratação de servidores sem concurso e privilégio a fornecedores.

No governo de Anthony Garotinho, comandou a Companhia Estadual de Habitação (Cehab) e foi afastado seis meses depois a pedido do ex-governador Leonel Brizola. Cunha foi acusado de fovorecer uma construtora em contratos do projeto habitacional Nova Sepetiba que envolviam investimentos no valor de R$ 34 milhões.  

Como deputado federal, é investigado na Operação Lava Jato. Foi acusado pelo doleiro Alberto Yousseff de ser o ' destinatário final' em um esquema de propina na Petrobras e pelo empresário Milton Schahin de ser um autor de um 'esquema de perseguição' as suas empresas. Além de atuar a favor da redução da maioridade penal é também a favor do inusitado projeto do 'Dia do Orgulho Hétero'. Assumiu a presidência da Câmara vencendo a oposição do Partido dos Trabalhadores, que lançou candidatura própria. Cunha prometeu um mandato promovendo a independência da Casa na sua relação com o Executivo e, mesmo com o PMDB fazendo parte da base aliada do governo federal e tendo o vice-presidente da República, impôs sucessivas derrotas a Dilma. 


 

Reportagem de Felipe Martins, Luis Araujo e Marcio Allemand


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