Acidente na Lagoa-Barra termina com um morto e trânsito complica na Z. Sul

Motociclista caiu e morreu na saída do Túnel Zuzu Angel, sentido Barra. Trânsito deu um nó até a região da Lagoa

Por O Dia

Rio - Um dia depois de ser aprovado no maior evento-teste para os Jogos Olímpicos — a competição internacional de Ciclismo de Estrada por 165 quilômetros, do Leme a Guaratiba — o Rio de Janeiro não passou na sua principal prova: o deslocamento de seus moradores, em dia útil. Durante quase quatro horas, cariocas amargaram gigantescos congestionamentos, devido a um acidente que causou a morte de um motociclista na Autoestrada Lagoa-Barra. Os reflexos, que começaram pouco depois das 6h, foram sentidos por toda a cidade, revelando a falta de integração entre órgãos municipais e estaduais.

Ao contrário do dia anterior, que não registrou incidentes, nesta segunda-feira, o tráfego de veículos parou, provocando retenções de São Conrado, na Zona Sul, até São Cristóvão, na Zona Norte. O transtorno no trânsito mostrou que a cidade não reage bem a imprevistos. O motociclista José R. Carvalho, de 29 anos, caiu na saída do Túnel Zuzu Angel, sentido Barra da Tijuca, e os bombeiros foram chamados às 6h48. A via, porém, só foi liberada aos motoristas às 9h45, quando o rabecão da Defesa Civil deixou o local levando o corpo da vítima.

Bombeiros do quartel da Gávea constataram o óbito às 7h20. A partir daí, motoristas tiveram que aguardar pelo trabalho dos peritos, que só chegaram ao local às 8h20. “A perícia tem que ir ao local imediatamente, tem que ser ágil. O ideal seria o perito ir ao local de moto para resolver a questão rapidamente”, sugere o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Alexandre Rojas. O especialista em trânsito lembrou que o Rio receberá 1,5 milhão de pessoas na Olimpíada por 30 dias. “A cidade terá que restringir o acesso de veículos e até recorrer ao rodízio de carros para desafogar o trânsito”, diz Rojas.

À direita%2C pista sentido Barra da Tijuca da Praça Sibélius com retenção em toda a sua extensãoCentro de Operações Rio

Pelas redes sociais, motoristas alertavam sobre a retenção no trânsito. “Ficou tudo parado na Borges de Medeiros. Levei 1h40 para ir do Rio Comprido à Ipanema”, desabafou Fernanda Cabral, que, em dias normais, faz o trajeto em meia hora. Segundo a Polícia Civil, os agentes do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) foram acionados às 7h45, chegaram ao local 35 minutos depois, e foram embora às 9h15. “Só pudemos liberar a via depois que o rabecão chegou”, criticou Joaquim Diniz, diretor de operações da CET-Rio. Para piorar a situação, depois de o trânsito ter sido bloqueado para trabalho das equipes de emergência, a Polícia Militar montou uma blitz no mesmo trecho onde aconteceu o acidente.

“Foi um agravante, a blitz reduziu a autoestrada em uma faixa, o que levou 20 minutos para ser desfeito”, disse Diniz, que reclamou do tempo gasto pela perícia da Polícia Civil e da demora na remoção do corpo. A PM informou que a blitz era necessária para coibir roubos praticados por motociclistas.

Para o presidente da Comissão de Trânsito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Armando Silva de Souza, a integração entre governos não funciona como deveria. “Os órgãos precisam se comunicar e agir com rapidez. Mas infelizmente, isso não acontece e é a população quem sofre”,constata.

Arte mostra o nó no trânsitoArte O Dia

O chefe-executivo do Centro de Operações, Pedro Junqueira, disse que o atendimento foi feito no menor tempo possível. “Temos que respeitar os procedimentos técnicos da polícia. Infelizmente foi a perda de uma vida em um horário crítico para a cidade”, disse.

No país, de cada três mortes no trânsito, duas são de motociclistas

De cada três mortes registradas no trânsito, duas são de motociclistas. Apesar de representar apenas 27% da frota nacional, eles são as principais vítimas dos acidentes que acontecem nas vias e estradas brasileiras. No ano passado, 76% das indenizações pagas foram para ocorrências envolvendo motocicletas, segundo levantamento do DPVAT (Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres). No mesmo período, 16 mil motociclistas morreram nas ruas. Eles também representam 92% dos 400 mil casos de invalidez.

Das 763 mil vítimas de trânsito, registradas em 2014, 75% eram homens e 25%, mulheres. No total foram pagos R$ 3,9 bilhões a vítimas ou aos dependentes. Os jovens continuam sendo a maior parcela dos acidentados: 24% das vítimas tinham entre 18 e 24 anos; e 28% entre 25 a 34 anos. Do total de feridos, 580 mil foram atingidos quando trafegavam de moto.

“Nas grandes cidades, a moto tornou-se o meio de transporte mais ágil para fugir dos engarrafamentos. Mas o motociclista é quem mais sofre lesões. Uma pequena queda pode causar invalidez permanente pois o corpo dele está mais exposto”, diz Ricardo Xavier, diretor-presidente da seguradora Líder-DPVAT.

Ele explica que familiares ou motociclistas têm direito ao seguro obrigatório, que é pago em até 30 dias. São três coberturas: R$ 13.500 (morte), até R$ 13.500 (invalidez permanente) e R$ 2.700 (despesas médicas). A vítima pode ligar para o número 0800-022-1204 ou obter informações no site www.dpvatsegurodotransito.com.br.


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