Mulheres se reúnem no Centro do Rio em protesto contra Eduardo Cunha

Rio Branco chegou a ficar fechada por cerca de 40 minutos para caminhada do grupo até a Cinelândia

Por O Dia

Rio - Um grupo com milhares de pessoas, na sua maioria mulheres, se reuniu no Centro do Rio, na noite desta quarta-feira, para protestar pelos direitos da mulher. Diversos grupos de apoio a causa foram com bandeiras a favor da legalização do aborto e pedindo a saída do presidente da Câmara dos Deputados, deputado Eduardo Cunha.

Cunha foi alvo de protesto de mulheres contra o projeto que torna crime induzir ou auxiliar um aborto Ernesto Carriço / Agência O Dia

Os manifestantes se concentraram em frente à Assembleia Legislativa do Rio antes de sair em passeata. Segundo o Centro de Operações da Prefeitura do Rio, por volta das 18h, a Avenida Rio Branco foi interditada pelos manifestantes, que caminharam em direção à Cinelândia. O tráfego de veículos na via ficou interrompido por cerca de 40 minutos.

Evangélicos pedem saída de Cunha do comando da Câmara

Integrantes de diversos movimentos evangélicos assinaram um abaixo-assinado no qual pedem a saída de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da Presidência da Câmara. Antecipado no início da tarde de ontem pelo colunista Fernando Molica, do Informe do Dia, o manifesto alega que as denúncias de corrupção e envio de recursos públicos para o exterior inviabilizam permanência no cargo. No domingo, O DIA publicou matéria mostrando o descontentamento das lideranças evangélicas com o comportamento de Cunha.

“As denúncias de corrupção e o envio de recursos públicos para contas no exterior inviabilizam a permanência do deputado Eduardo Cunha no cargo que ocupa, uma vez que não há coerência e base ética necessária a uma pessoa com responsabilidade pública”, diz o texto do manifesto, com mil assinaturas de bispos, pastores, teólogos, leigos e fiéis de inúmeras igrejas.

O documento afirma que as ações de Cunha, “que se identifica como evangélico”, merecem repúdio. Frisa ainda que “a corrupção não é a marca distintiva da política para os evangélicos. Ela é a marca de certa ‘safra’ de representantes. Mas nós evangélicos não somos assim e não podemos mais deixar que nos identifiquem como tal”.

Fiel da Assembleia de Deus de Madureira, Cunha é evangélico e por diversas vezes acompanha o culto que ocorre na sala das comissões da Câmara dos Deputados às quartas-feiras pela manhã. Mas desde que vieram à tona as notícias de que ele esconde contas na Suíça, o peemedebista não compareceu a nenhum desses encontros religiosos.

Investigado pela Operação Lava Jato, Cunha foi denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro. Uma das acusações contra o deputado é de indicar a igreja evangélica Assembleia de Deus para receber parte da propina de ao menos US$ 5 milhões referentes a contratos para viabilizar a construção de dois navios-sonda usados pela Petrobras.

Entre os signatários do manifesto, que está disponível para adesões na internet, estão Dom Francisco de Assis da Silva, bispo primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Marisa Coutinho, bispa da Região Missionária do Nordeste da Igreja Metodista, e Romi Bencke, pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil.