'Estamos muito atrasados', diz subsecretário sobre mobilidade urbana

Vicente Loureiro afirma que prefeituras da Baixada estão atrasadas na busca de soluções para o problema

Por O Dia

Falta de integração entre linhas de ônibus%2C dificuldade de acesso às estações e a inexistência de corredores expressos são alguns dos problemas apontados por LoureiroAgência O Dia

Vicente Loureiro, subsecretário estadual de Urbanismo Regional e Metropolitano do Rio de Janeiro, afirma que as prefeituras da Baixada já estão atrasadas na busca de soluções para o problema da mobilidade urbana.

A falta de integração entre linhas de ônibus, a dificuldade de acesso às estações e a inexistência de corredores expressos são alguns dos problemas apontados como ingredientes para o caos diário enfrentado pela população da região.

Segundo ele, o Pacto da Mobilidade, do governo federal, em que está prevista a injeção de R$ 3 bilhões na Região Metropolitana, é boa oportunidade para que prefeitos apresentarem “projetos criativos”.

ODIA: O que pode ser feito para melhorar o trânsito nas cidades da Baixada? Os congestionamentos hoje atingem até o deslocamento das pessoas entre os municípios da região.

VICENTE LOUREIRO: Os prefeitos estão muito atrasados nessa luta. Os investimentos até aqui têm sido muito pequenos. Há inúmeras soluções que já poderiam ter sido tomadas pelos prefeitos, independente de ajuda dos governos federal e estadual.

Que soluções são essas?

A reversão de faixas é uma delas. A melhoria dos acessos às estações ferroviárias é outra. Hoje, muitas pessoas não usam o trem porque não há calçadas, não há meio de se chegar às estações. Um amigo, morador de Comendador Soares, me disse que não anda mais de trem porque não consegue chegar à estação. Ele tem que carregar seu computador no carrinho de rodinhas e sofre com os desníveis, com os buracos, com os camelôs, com a falta de calçadas... Já passou pelas estações ferroviárias? Várias têm dezenas de bicicletas amarradas. Poucas, como Japeri, contam com um bicicletário.

Você acha que houve uma priorização do uso de automóveis em vez do transporte público?

Exatamente. O próprio governo federal tem sua parcela de culpa quando oferece descontos para a compra de carros sem pensar no transporte público. Nos últimos dez anos, a frota de automóveis dobrou na Baixada Fluminense. Hoje, calculo que seja de 1 milhão. A última grande melhoria viária, a Via Light, já tem 16 anos. Além disso, rodovias federais, como Via Dutra e Washington Luís, não foram concebidas como integrantes de artérias viárias da Região Metropolitana. A Dutra só funciona bem de Queimados até Guarulhos, em São Paulo. E não temos como exigir das concessionárias muitas melhorias porque o contrato de concessão não prevê isso.

E projetos, como o BRT Transbrasil, na Avenida Brasil, terá repercussões na Baixada?

O BRT da Avenida Brasil, que vai interligar Deodoro até o Castelo, no Centro do Rio, é importante para o município do Rio, mas não foi concebido como um sistema de interligação metropolitano. A Avenida Brasil recebe milhares de pessoas de Nova Iguaçu, de Belford Roxo, de São João de Meriti, através da Dutra, e de Duque de Caxias, através da Washington Luís. Essas pessoas continuarão enfrentando os mesmos problemas que já enfrentam.

Que outras soluções podem ser adotadas pelos prefeitos?

Outra tarefa importante é retirar os muros horrorosos da Supervia. Não contribuem em nada para o urbanismo. As prefeituras têm que oferecer atrativos para o povoamento de bairros, como Edson Passos, em Mesquita, Olinda, em Nilópolis. No metrô, por exemplo, com exceção da Pavuna e de Del Castilho, onde fica o Shopping Nova América, as demais são desertas. Agora, prefeito tem que ter coragem, tem que ter peito e enfrentar o problema.

Como assim?

É priorizar o transporte coletivo. Carro não pode ser prioridade, ônibus sim. Então, Nova Iguaçu tem que criar corredores exclusivos para ônibus</CW>. Belford Roxo, por exemplo, já deveria ter um corredor expresso até Caxias através da Avenida Joaquim da Costa Lima. Será preciso fazer desapropriações? Claro, mas será pelo bem comum. O que não pode é levar quase uma hora para percorrer um trecho de menos de 15 quilômetros, entre o Centro de Belford Roxo até o bairro do Lote XV, em Caxias.

E a proposta da ex-prefeita de Nova Iguaçu Sheila Gama, de implantar um aeromóvel na cidade?

Um projeto muito caro para uma experiência que não teria aplicabilidade no município. São trens feitos para trajetos curtos. O que precisamos é criar trechos exclusivos para os ônibus, pensar que, hoje, o adversário principal das cidades é o carro.

E o governo do estado? O que tem feito para melhorar a mobilidade urbana?

O estado tem feito a sua parte, que foi a compra de novos trens, que devem começar a circular em 2016. A gestão metropolitana é o grande desafio para que as soluções sejam apresentadas. Por isso, criamos o Plano Estratégico da Região Metropolitana, que tem o objetivo de resolver os gargalos gerados pela falta de integração entre os municípios. São 19 cidades com poucos organismos representativos em comum. É preciso pensar a gestão metropolitana, e o governo do estado vai assumir esta tarefa.

E o Pacto da Mobilidade, lançado pelo governo federal, o que está previsto para a Baixada?

São R$ 50 bilhões, dos quais R$ 3 bilhões devem vir para a Região Metropolitano. Mas é preciso que os prefeitos apresentem projetos criativos.

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