Por juliana.stefanelli

Rio - Com base no art. 3º. do Código de Processo Criminal, o Imperador Pedro II assinou em 15 de janeiro de 1833 decreto que, no artigo 7º, criava a Vila de Iguassú e outras vilas e, no 10º, mandava desanexar os territórios da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro na Baixada e transformar em freguesias da Vila as localidades de Inhomirim (que depois passaria à Vila de Magé), Pillar, Santo Antonio de Jacutinga, São João de Meriti, a parte da Freguesia de Marapicu à direita do Rio Guandu e Ribeirão das Lajes, e freguesia sede de Nossa Senhora da Piedade de Iguassú.

Já em 1835, a Lei 14 extinguiu a Vila de Iguassú e, em 7 de maio de 1836, a Lei 40 declarou que suas freguesias passassem à Cidade de Niterói. A situação perdura até 10 de dezembro de 1836, quando a Lei 57 restabelece a Vila de Iguassú.

Essas freguesias abarcavam terras que faziam limite com Magé, a Baía da Guanabara, o Rio Meriti, as encostas do Gericinó até Marapicu, a margem direita do Rio Guandu, os limites com Miguel Pereira, Santana das Palmeiras e os limites com Petrópolis. Nesse território, assentavam-se as Igrejas Matrizes e suas capelas.

Além de cuidar da fé, a igreja tinha o controle absoluto das almas no nascimento, pelo batismo, no crescimento espiritual, pela crisma, no alimento espiritual, pela eucaristia, no remédio espiritual, pela confissão, e na morte, pela extrema-unção, o que levou ao controle dos cemitérios.

Brasil era uma grande fazenda e território exclusivo da fé cristã católicaDivulgação

Assim, a Igreja controlava os costumes e as tradições na moral cristã. A administração eclesiástica de característica universal apregoada por Santo Agostinho é feita ao lado do poder temporal exercido pelos governantes do Estado.

O poder da Igreja dava a garantia, aos detentores do poder político ou econômico, que poderiam viver em paz quanto às questões sociais. Os conflitos eram resolvidos dentro dos ensinamentos e, ao fim de cada missa, todos eram irmãos em um fraternal abraço de perdão e logo após a comunhão. O gesto era repetido a cada domingo

Igrejas e capelas, no centro das localidades ou em fazendas, permitiam a acolhida, a paz e o congraçamento. O Brasil era uma grande fazenda e território exclusivo da fé cristã católica, até a Proclamação da Republica, em 1889, quando houve a separação da Igreja do Estado.

Ao estudar e tentar entender a vida nas comunidades e das propriedades rurais, não podemos perder de vista as relações entre o Poder Universal e o Poder Temporal. Até a primeira metade do Século XX, quando a Baixada começa a receber grupos imigrantes com novas culturas de fé, é comum encontrar a Igreja como ponto de encontro, em quermesses ou eventos sociais e políticos.

A Baixada, independente do pluralismo religioso de seu sincretismo, ainda possui grande reserva de entendimentos no cristianismo.

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