Por helio.almeida
Produtores rurais têm recebido assistência técnica das prefeiturasEstefan Radovicz / Agência O Dia

Rio - A agricultura orgânica está ganhando espaço nas lavouras da Baixada Fluminense. Produtores rurais têm recebido assistência técnica das prefeituras e facilidades para a compra de matéria-prima para o plantio e controle dos produtos sem agrotóxico.

Mas as dificuldades para a certificação e a falta de conservação de estradas e de locais para venda são considerados, pelos produtores, entraves que inibem mais investimentos nos orgânicos.

Agricultor há 30 anos, Waldemar Garcia Mello, 60, dono do Sítio Zico, em Santo Aleixo, Magé, voltou a investir, desta vez, em plantio sem agrotóxicos, há três anos. “Já perdi tudo quando cultivava com agrotóxico. Fiquei desanimado. Agora, com novos incentivos, espero triplicar minha produção, hoje de 1,5 tonelada, já ano que vem”, afirma Waldemar.

No sítio de 20 mil hectares, o agricultor tem plantados 35 mil pés de palmito pupunha. Há também tomate cereja e milho verde, entre outros.

Ele reclama, no entanto, que não há local para a venda do produto na cidade. “A prefeitura poderia nos ajudar comprando os nossos produtos. Com uma agroindústria, poderíamos vender nossos produtos industrializados”, reivindica Waldemar, que ganha, em média, R$ 7 mil por mês com a venda de seus produtos em feiras no Rio.

O agricultor produz cerca de 400 quilos de palmito por mês.“Tenho condições de cultivar oito toneladas por mês. Há muito espaço vazio no meu sítio. Só falta ter lugar para industrializar e vender os produtos”, ressalta.

Com a assistência técnica que recebeu da prefeitura, Waldemar foi um dos 20 agricultores que conquistaram este ano o selo de qualidade do Sistema Participativo de Garantia, um dos mecanismos de controle credenciado pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
Outros 35 agricultores deverão receber o selo em seis meses.

“Aprendemos a fertilizar o solo com produtos naturais e a combater pragas sem veneno. Fazemos controle biológico da terra tornando a planta sadia. Saudáveis, elas dificilmente sofrem ataques de pragas”, explica Waldemar.

Secretário de Agricultura de Magé, Aloisio Sturm garante que a partir do próximo mês a prefeitura já estará comprando produtos das cooperativas. “Faltavam alguns detalhes jurídicos”, justifica. Projeto para a criação de uma agroindústria também está sendo desenvolvido.

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