Por helio.almeida

Dez meses após o temporal que atingiu o distrito de Xerém, em Duque de Caxias, moradores convivem com o medo de nova tragédia, como a da madrugada do dia 3 de janeiro. Naquele dia, 275 pessoas ficaram desalojadas e mil foram obrigadas a deixar suas casas temporariamente.

Uma das que continuaram em Xerém, Ivanete Vasconcelos, de 53 anos, vive com medo. Na semana passada, por exemplo, ela deixou sua residência, na Rua José de Paula, durante uma tempestade de raios e foi se abrigar na casa da filha, em Santo Antônio.

A dona de casa mora às margens do Rio João Pinto, que transbordou em janeiro e destruiu ruas e casas. A antiga residência da filha, Monalisa, de 32 anos, era vizinha da dela e foi interditada. Hoje, ela recebe aluguel social para morar em Santo Antônio.

Duque de Caxias não está pronta para evitar novos desastres durante o período de chuvas fortesEstefan Radovicz / Agência O Dia

Como sua casa não foi considerada em risco pelos técnicos da Defesa Civil, Ivanete não tem direito a aluguel social e, sem alternativa, continua em Xerém. Mas, preocupada, garante que não passará as noites de chuva em casa durante o verão. “Sempre que chove, fico muito apreensiva. Pretendo sair daqui antes de começar o período de chuva”, afirma.

Ivanete não perdeu a casa, mas teve praticamente toda a mobília destruída pela enchente. “No dia da chuva, a água passou de um metro de altura. Perdi tudo, menos a máquina de lavar e a televisão”, conta a mulher.

Apesar da proximidade do verão, Duque de Caxias não está pronta para evitar novos desastres durante o período de chuvas fortes. A cidade espera 19 pluviômetros e 18 sirenes de alerta doados pelos governos estadual e federal.

Segundo o secretário municipal de Defesa Civil, tenente-coronel Marcello Silva da Costa, os equipamentos deveriam ter sido instalados na primeira quinzena de outubro. O novo prazo é até dia 15 de dezembro. “Somente no distrito de Xerém serão instalados sete pluviômetros e seis sirenes, que vão alcançar 960 residências”, garante Silva da Costa.

De acordo com ele, o sistema, que vai beneficiar 11.200 pessoas em 20 comunidades em toda a cidade, começará a funcionar até o fim da primeira quinzena de dezembro. Após a instalação, será feita simulação em todos os locais onde haverá sirenes.

O secretário garante que até o fim do ano toda a população será treinada. “Nosso planejamento é fazer o exercício em todas as comunidades num prazo de 12 dias.”

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