Por nara.boechat
Rio - Chegar ou sair do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes (Saracuruna), em Duque de Caxias, tem sido uma tarefa árdua para os pacientes. As ruas que dão acesso à unidade estão cheias de buracos, que crescem mais a cada chuva. É preciso desviar de lama e poças d’água. Funcionários se queixam do clima de insegurança, principalmente na saída do trabalho.
O ponto de ônibus mais próximo fica há quase 20 minutos do hospital, em frente a uma passarela da Rodovia Washington Luiz. Para chegar até ele é necessário fazer uma caminhada de aproximadamente um quilômetro.
Eliane disse que tem medo de ser assaltada ao levar o neto que quebrou o braço ao hospitalJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

O acesso à unidade que é referência em atendimento complexo, na Estrada Venâncio Pereira Veloso, tem pouca iluminação e mato alto, que prejudica a visibilidade dos motoristas e amedronta pedestres.

Muletas afundam

Publicidade
O entregador de gás, Bruno da Silva Santos, 31 anos, quebrou ossos da perna esquerda e se trata no hospital há um ano. “As muletas afundam quando passo na lama”, reclama Bruno, que mora no distrito de Mauá, em Magé.
A falta de segurança também é uma preocupação para pacientes. De acordo com eles, os assaltos são frequentes, mesmo próximo a posto da Polícia Federal.
Publicidade
Moradora de Jardim Anhangá, a dona-de-casa Eliane dos Santos, 44, tem medo de passar pelo local com o neto Kauan Victor, 4 anos, sofreu fratura no braço esquerdo. “É perigoso passar por aqui pela manhã, imagine andar por quase 30 minutos até o ponto de ônibus à noite.”, questiona.
Um motorista que preferiu não se identificar reclamou da falta sinalização. “Tem que ter cuidado para não bater com o carro no escuro. Das poucas placas que existem, uma está pichada. Não dá para ler”, critica.
Publicidade
Índices de roubo de veículos e de pedestres subiram
O índice de roubo de veículo e de aparelho celular e ataques a pedestres aumentou em relação ao ano passado, na área da 60ª DP (Campos Elíseos), se comparado somente o mês de agosto, último divulgado pelo Instituto de Segurança Pública.
Publicidade
O número de roubo a transeunte (pedestre), uma das maiores preocupações de quem passa próximo à unidade, subiu de 65 em agosto de 2012 para 112, neste mesmo mês, este ano. Já o índice de roubo de veículo saltou de 48 para 98. Houve registro de seis roubos de aparelhos celular na região este ano. Em 2012, nenhum caso foi registrado. Funcionários pedem mais segurança e obras para a área.
Bruno%2C que fraturou ossos da perna%2C sofre para chegar à unidade%3A muleta afunda na lama e é difícil driblar buracosJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

Funcionários só saem do trabalho em grupo

Não são só os pacientes do Hospital Adão Pereira Nunes que sofrem para chegar ou sair de lá. Médicos, enfermeiros e estagiários estão seguindo à risca as orientações de andar o mínimo possível nas imediações do hospital, sair da unidade somente em grupos e com os vidros dos carros fechados, entre outras dicas de segurança nas ruas.
Publicidade
“Mesmo com um carro da polícia na porta do hospital, não é seguro sair sozinho daqui. Evitamos até andar no estacionamento do hospital, pois muita gente vem assaltar aqui. Trabalhamos com medo da insegurança nas imediações na hora de sair para ir para a casa”, conta a fisioterapeuta e estagiária do hospital, Grace Salgado, de 44 anos.
Sobre a obra que teria prejudicado a passagem de moradores, a Secretaria de Obras de Duque de Caxias informa que os danos causados no acesso ao hospital é resultado do serviço do Arco Metropolitano, e irá enviar uma equipe para avaliar a situação e executar melhorias na via.
Publicidade
Já a assessoria da Polícia Militar informou que o comando do 15º BPM (Duque de Caxias) vai manter um carro na entrada do hospital e intensificar o patrulhamento.