Por camila.borges
Publicado 06/12/2013 17:47 | Atualizado 06/12/2013 18:09

Rio - O dia a dia é tranquilo em Café Torrado, Xerém. Mas há um ano os moradores vivem com um medo constante: a força destruidora da água. O local foi devastado por uma enxurrada que fez o Rio Capivari transbordar, inundando centenas de casas. Três pessoas morreram.

Moradores serão indenizadosFábio Gonçalves / Agência O Dia

Agora o pesadelo parece ter chegado ao fim - ao menos para parte deles. Até o dia 25, 10 famílias que vivem à beira do rio terão de deixar suas casas. Restam ainda em situação de risco outros 150, de acordo com a Prefeitura de Duque de Caxias.

Uma das alternativas oferecidas aos moradores está a cerca de 20 quilômetros, no bairro Nossa Senhora do Carmo - um condomínio do programa federal Minha Casa, Minha Vida, com apartamentos mobiliados.

Lá também há um rio, o Sarapuí, que de tão poluído, na sua foz, na Baia de Guanabara, formou-se um banco de lodo, resultado do esgoto despejado ao longo do leito. Nele, não haverá mais banhos nem brincadeiras como no Capivari.

“Tem que sair. Um dia qualquer pode chover, ter enxurrada, soltar um tronco de árvore ou uma pedra, e matar alguém”, alertou o prefeito Alexandre Cardoso, que visitou a área esta semana com representantes do Istituto Estadual do Ambiente (Inês) e Ministério Público.

A outra possibilidade é uma indenização proposta pelo Inea, a partir da avaliação dos imóveis.

“Sou só um aposentado de 70 anos que não tem forças para brigar. Se quiserem me tirar daqui, vão tirar”, desabafa Luiz Lourenço da Costa. Apesar de ter seu quarto levado pela enxurrada de janeiro e morar “de favor” na casa do filho, Luiz não recebe o aluguel social. Sua antiga casa foi condenada pela Defesa Civil. “Só espero que paguem uma indenização justa”.

Seu destino, como o dos outros, será traçado terça-feira numa reunião entre prefeitura, MP e Inea. Os moradores aguardam ansiosos.

Inea notificou

Na visita realizada esta semana em Xerém, o engenheiro do Inea Irinaldo Cabral informou que dez famílias já foram notificadas para saírem do local e, nos próximos dias, outras dez também serão.

Alguns moradores, no entanto, negam ter sido notificados ou seu imóvel avaliado. “Não acredito que vão tirar a gente daqui, já se passou um ano e até agora nada”, diz José Zilmar, 60 anos, desconfiado.

Outro que diz não ter se reunido com qualquer autoridade é Sebastião Caçadino, 65. Ele garante que não conversou com ninguém da prefeitura e do Inea. “Tudo o que sei é pelo jornal”, afirma.

O prefeito Alexandre Cardoso comentou durante visita a Xerém que acionará o Ministério Público, caso não consiga chegar a acordo com os moradores.

A reportagem é de Nonato Viegas

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