Nova Iguaçu usa touquinhas para melhorar desempenho

Tática visa a que jogadores não olhem para o chão na hora do passe. Time está na luta por vaga na semifinal do Carioca

Por O Dia

Rio - A boa campanha do Nova Iguaçu no Campeonato Carioca, que luta por uma vaga na semi-final. O clube adotou touquinhas coloridas no lugar dos tradicionais coletes para dividir titulares dos reservas durante os treinamentos. A tática visa a que os atletas não olhem para o chão na hora de dar o passe para o companheiro durante os jogos.

“Futebol se joga com os pés e com a cabeça erguida. Os jogadores visualizam as toucas e erram menos. Vimos uma melhora nos treinos e jogos. Está dando certo”, garante o técnico Edson Souza. Até o fechamento do Caderno Baixada, na quinta-feira, o time estava em quinto lugar com 11 pontos.

“Quando comecei minha carreira no Bonsucesso há 30 anos, o treinador amarrava as camisas na cabeça dos jogadores para que jogassem sempre olhando para o lado e acertassem os passes. Se ficassem de cabeça baixa, o adversário tomava a bola”, lembra. Edson.

Geovani%2C meia-esquerda do time%2C aprova inovação no treino%2C que o ajudou a melhorar os passes Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Embora o clube não tenha registrado o total de passes certos e errados neste campeonato, no jogo contra o Fluminense, na terceira rodada, por exemplo, o time teve 51% da posse de bola contra 49% do Tricolor das Laranjeiras. Acertou 360 passes contra 327 do Flu e errou apenas 23, quatro a menos que o rival. Só o placar não foi favorável: 3 a 1 para o Fluminense.

Apesar de alguns tropeços no campeonato, com o a derrota para o Flu, os jogadores aprovaram a tática das toucas coloridas. “O treino fica melhor com elas. Como sou meio-campista, preciso sempre olhar a movimentação do time e ter mais visão de jogo. Com as touquinhas meu desempenho melhorou”, afirma o meia-esquerda Geovani, de 21 anos, um dos destaques do ‘Laranja Mecânica’.

O Nova Iguaçu não luta apenas em se classificar para as semifinais do Campeonato Carioca. “Queremos também uma vaga na Série C do Brasileiro”, explica o fundador e presidente do clube, Jânio Moraes.

Ele se orgulha em dizer que o Nova Iguaçu recebeu ano passado da Confederação Brasileira de Futebol o Certificado de Clube Formador Nível A (válido por dois anos). Quem possui esse selo tem a garantia de que um atleta entre 14 e 16 anos só pode sair se o clube for indenizado. O valor é calculado de acordo com o gasto para formar o atleta e pode chegar a R$ 200 mil. “Somos o único clube do Rio”, gaba-se Jânio.

Clube não tem estrelas

Com uma folha salarial mensal de R$ 80 mil, o Nova Iguaçu não trouxe estrelas para este campeonato, porém contratou revelações e destaques de clubes do interior do Rio e de outros estados, como o meia-esquerda Geovani, de 21 anos, considerado uma joia do futebol do Mato Grosso, em 2013.

Mesmo jovem, o atleta tem experiência na Europa, onde atuou por cinco temporadas no futebol italiano, jogando pelo Chievo Verona e SPAL. Outro destaque do time é o também meia-esquerda Dieguinho, de 23 anos, ‘cria’ do clube e que jogou por dois anos —2009 e 2010— nos juniores do Flamengo.

“Sonho em ganhar este campeonato, disputar a Série C do Brasileiro e voltar ao Flamengo. Mas aqui no Nova Iguaçu me sinto em casa”, comemora o atleta. No ataque, Zambi, revelado no Nova Iguaçu, é o ‘homem gol’ do time. Ele marcou dois em cinco jogos no Carioca, ao lado do experiente Sérgio Júnior, ex- Macaé. Em 2013, Zambi se destacou pelo Caxias-RS ao marcar 10 gols no Campeonato Gaúcho.

Estádio, piscina e seis campos de futebol

Se dentro de campo o Nova Iguaçu vai bem das pernas no Cariocão, fora dele,a infraestrutura do clube também não fica atrás. A sede social, Centro de Treinamento (CT) e o Estádio Laranjão com capacidade para 2.500 torcedores ocupam uma área de 135 mil metros quadrados. O CT ainda conta com seis campos de futebol, três profissionais e outros três soçaites.

Ainda há uma quadra poliesportiva, uma de areia, centro técnico para treinadores e preparadores, centro médico para atendimento aos atletas com médicos clínicos, odontológicos e fisioterapeutas.
O Nova Iguaçu Futebol Cube oferece também uma piscina para os jogadores, salão de jogos e duas academias. “Escolhi jogar aqui pela estrutura e por ter oportunidade de disputar o Carioca”, conta o meia Geovani. A saúde financeira do clube é outro fator positivo. “Nunca tivemos uma ação trabalhista e financeiramente estamos ótimos”, acrescenta Jânio Moraes.

Laranja Mecânica já revelou vários craques

Sempre forte nas categorias de base, o Nova Iguaçu se orgulha de ter cultivado vários ‘frutos da terra’, como são conhecidos os jogadores formados no clube. Para Jânio Moraes, diretor-presidente do ‘Laranja Mecânica’, contratações de peso estão fora da realidade. “Nossa meta é formar jogadores. Trazemos atletas rodados para mesclar com a juventude”, conta Moraes, que mostra seu fanatismo pelo clube no braço direito: uma enorme tatuagem com o escudo do time.

O empresário não esconde de ninguém sua satisfação em revelar jogadores no clube, como os atacantes Deivid (Coritiba) e Schwenck (ex-Botafogo). Mais recentemente, despontaram no Laranja o lateral-esquerdo Cortez (que já atuou pela Seleção Brasileira e estava no Benfica), os volantes Airton (hoje no Botafogo) e Amaral (Flamengo) e os atacantes Wiliam Barbio (Vasco) e Biro Biro (Fluminense).

Jânio lembra com alegria a passagem do ex-jogador Zinho, de Nova Iguaçu, pelo clube e com tristeza a do Edmundo, ambos em 2005. “Zinho foi o nosso grande nome, mas outros que passaram por aqui não fizeram sucesso, como o Edmundo”, comenta.
Segundo o dirigente, o ‘Animal’, como é chamado o craque, “foi bom quando chegou e muito bom quando saiu”. Jânio explica: “ Um dia antes de sua estreia não queria jogar. Foram duas semanas de conflito”, revela.

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