Por tamara.coimbra

Guapimirim - Com potencial turístico, um paraíso formado por três rios limpos, que dão na Baia de Guanabara, ainda é pouco conhecido na Baixada Fluminense. O belo cenário, com a Serra dos Órgãos ao fundo, fica em Guapimirim, onde há reserva de 140 mil metros quadrados de natureza preservada. A utilização das águas dos rios Guapimirim, Guaraí e Caceribu para passeios turísticos, no entanto, é controlada. Motivo: cortam uma Área de Proteção Ambiental (APA).

Somente 15 barcos estão habilitados. E são pequenos (capacidade para quatro pessoas) e caros (R$ 300). Isso porque o Instituto Chico Mendes, responsável pela APA, só libera a exploração do serviço depoisque os barqueiros — hoje moradores da região — passam por treinamento específico sobre Ecoturismo. O trabalho é desenvolvido com o auxílio de outras ONGs, mas, neste momento, está parado. Falta dinheiro.

Falta de parcerias atrapalha o desenvolvimento do turismo e acesso à regiãoAlexandre Vieira / Agência O Dia

“Temos um limite físico e financeiro para o treinamento. Gostaríamos de ter mais gente habilitada para mostrar a beleza da região, inspirar a preocupação ambiental e desenvolver as comunidades do entorno”, lamenta a analista ambiental do instituto, Juliana Fukuda. Ela diz ser importante a parceria de prefeituras da região e de empresas, para o desenvolvimento do trabalho.

O secretário de Turismo de Guapimirim, Marlon Vivas, afirmou não conhecer o projeto, mas disse que vai “manter contato para conhecer e buscar recursos”. Também prometeu parceria com a Secretaria de Obras do município para melhorar o acesso à região.

Enquanto ONG e governo não se entendem, a visita — que dura entre uma e duas horas e pode ser feita em sete circuitos diferentes, a depender da maré — continua restrita. Ex-pescador, Alailton Malafaia, 52 anos, é um dos barqueiros que fazem o passeio. “Ganhei nova visão com o curso e, graças a ele, vejo a importância do meu trabalho”, diz Malafaia, hoje, à frente da Coop. Manguezal.

Os três rios são os únicos limpos dos 55 que despejam na Baía de Guanabara e, por isso, são considerados uma ‘Arca de Noé’, abrigando à sua volta variadas espécies (172 de pássaros, 15 de répteis e 80 de peixes). Setenta e cinco por cento da vegetação nativa estão preservadas, o que atraem os únicos 40 golfinhos, que antes, aos milhares, circulavam pela baía. Hoje eles se restringem à área.

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