Por ramon.tadeu
Publicado 24/05/2014 01:37

Rio - Alberto Dines, na sua obra ‘Vínculos de Fogo’, dando um tom de leveza na sua explicação histórica, descreve a presença dos cristãos novos na Baixada Fluminense: “Este imenso recôncavo, Canaã exuberante, em vez da toponímia hebraica, arrevesados nomes indígenas: Meriti, Inhaúma, Pavuna, Irajá, Sacopema, Iguaçu, Jacarepaguá. Estende-se pelo fundo da Guanabara, vai até a orla do mar em Guaratiba. Outro braço contorna os mangues, ultrapassa São Gonçalo e alcança Cabo Frio, com nomes não menos estranhos: Columbandê, Guaxindiba, Maricá e Saquarema. Daqui não emana o mel bíblico, mas o aroma é doce.

Sinagoga de Nilópolis foi fundada por judeus sefarditasDivulgação

Demasiado, roça o azedo. Vem da cana que os escravos cortam, do caldo que escorre nos tachos, lambuza tudo e todos; vem da garapa, do melado, da rapadura e do açúcar que os engenhos fabricam dia após dia, menos no tempo das chuvas. No delta do recôncavo deságuam vários rios e, nas terras encharcadas entre o Inhomirim e o Irajá, localizam-se as lavouras, herdadas e engenhos de muitos Cristãos Novos. Gostam de rios os da nação, para pendurar harpas ou chorar saudades. Organizam-se em clãs e, assim, assentam-se na terra.”

O povo judaico aqui se apresenta como um cristão novo, para diferenciar do cristão católico das raízes portuguesas. A sua entrada no Brasil se faz desde os primeiros anos da colônia. Com Dom João III em 1536 tem início a grande conversão pelo batismo dos B'nei Anussim (filhos dos forçados) ao cristianismo e muitos vieram para o Rio de Janeiro e Bahia. Ao final do século 16, o Rio de Janeiro já contava com a metade da população de cristãos novos. Uns mais ricos e outros menos. Os com maiores recursos adquiriam terras de antigos sesmeiros e os mais pobres tornaram-se partideiros nos engenhos em um sistema de parceria na produção e nas atividades administrativas.

Durante o século 17, segundo cronistas, o Rio de Janeiro era dominado por esta gente endinheirada e dono das atividades comerciais. Os sefarditas (judeus da Península Ibérica) tornaram-se senhores de numerosos engenhos na Baixada. Em São João Batista de Meriti havia prósperos engenhos, ricas lavouras de cana. Engenho de N. Senhora das Neves, situado no Rio Meriti, pertencia a Baltazar Borges e foi adquirido em 1610. Sítio da Covanca de Miguel Cardoso e nas terras do filho, Baltasar Rodrigues Coutinho, não havia capela e não fingia, era um atrevido. O engenho da Covanca, em Meriti, foi criado por Gregório de Barros (1593/1642), com capela, onde casaram as filhas, parentes pelos dois lados de Antonio José da Silva (teatrólogo chamado de O Judeu).

Você pode gostar

Publicidade

Últimas notícias