Por ramon.tadeu

Rio - E não é que o sujeito voltava de vez em quando e pedia o “prato do Hulk”? Sempre no estilo simples de bermudão, camisa e chinelo, contando piadas na mesa e, sobretudo, brincando de inventar receitas, Vanor Amaral certa vez arriscou mistura de temperos indianos e o peixe ficou verde. E gostoso, como prova a reação do freguês. As histórias são muitas, e nos ajudam a compreender o sucesso do Peixe do Vanor numa cidade onde as carnes e pizzas dão as cartas.

Tira-gosto misto no Peixe do Vanor é de tirar o fôlego Divulgação

Já são quase três décadas desde que o motorista de ônibus de turismo trouxe de viagem uma panela de barro e resolveu cozinhar um peixe para amigos. A ideia de um botequim para ajudar na aposentadoria não demorou a ser aposentada em nome dos frutos do mar em geral, companheiros fiéis de seu Vanor até o fim da vida, há 3 anos, quando o cozinheiro nos deixou.

A receita que leva o nome do restaurante, responsável por 8 em cada 10 pedidos no salão, foi outra criada pelo instinto de jogar na panela o que faz salivar, o acabamento que faz a diferença. A mozarela acabou recheando os filés de peixe, sobre risoto de camarões, camarões fritos e iscas de peixe. Sem economia de sabor ou frescuras, apenas o frescor dos ingredientes envolvidos. E tome garoupa, cherne e dourado, pescada-amarela, peruá e congro-rosa.

Outro dia, eu e o fotógrafo e gourmet José Pedro Monteiro, português que entende do assunto e vive a narrar suas façanhas culinárias, ficamos hipnotizados diante de um tira-gosto misto com pastéis de camarão, iscas robustas de peixe empanadas, camarões fritos e mexilhões refogados. O bacalhau grelhado veio em seguida e o português aplaudiu.

Para encerrar a degustação, o macarrão com camarões mais uma vez mostrou a herança do patriarca Vanor, quando o filho Alexandre, que dirige a casa com os irmãos Leonardo e Elizabeth, trouxe a travessa com a massa cremosa e ao mesmo tempo ‘puxa-puxa’, com toques de palmito e queijos mozarela e Catupiry no molho branco que envolvia os crustáceos.

Um dos segredos da família é o azeite temperado com ervas finas, alho, azeitona e outras bossas, base para diversos preparos que os deixa com sabor especial no garfo. Desde os tempos em que o ex-motorista retirava os cardápios da mesa de amigos e dizia: “Deixa comigo que vou ali fazer alguma coisa boa”.

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