Produção de cachaça vira um bom negócio na Baixada Fluminense

Setor produz 800 milhões de litros por ano. Sete empresas são da região e investem de olho no crescimento do mercado

Por O Dia

Rio - A branquinha mais amada do Brasil está em alta na Baixada Fluminense. Na região, há pelo menos sete destilarias ou engarrafadoras legalizada. A maior delas, a Casa Barbinotto, no Bairro Incra, em Seropédica, produz 20 mil litro, de maio a outubro, época da colheita da cana.

A empresa, incluída na Carta de Cachaças do estado, lançada em abril pelo Sebrae e a Firjan, é a única destilaria da Baixada que faz parte da Associação dos Produtores de Cachaça do Estado do Rio (Apacerj). O dono da Destilaria, Alencar Vicente Barbinotto, 52 anos, que produz a pinga há seis anos, diz que a produção vai ser ampliada.

Alencar Vicente Barbinotto%2C dono da Cachaça Barbinotto%2C fabrica a bebida há seis anos em SeropédicaEstefan Radovicz / Agência O Dia

Ele anuncia que tem planos de investir para comprar mais um alambique e ampliar a produção. “Tenho capacidade de produzir 50 mil litros por ano, mas hoje fabrico 20 mil”, explica o produtor.

Já Geraldo Hilton Silveira de Souza, de 57 anos, dono da cachaça Paracambicana, produz, de maio a outubro, 150 litros de aguardente por dia em seu sítio no bairro Ponte Coberta, em Paracambi. Há 20 anos, ele faz a cachaça orgânica, produzida sem aditivos químicos, e cultiva a cana no que usa no alambique.

No sítio de Paracambi, ele produz ainda cachaças com sabores e aromas de cravo e canela, laranja, tangerina e banana. “Estudo fazer a de coco. A fermentação é feita com milho e fubá. É uma bebida mais pura”, garante Souza, que vende o litro da cachaça a R$ 7, a da safra atual, e R$ 25, a que é envelhecida em barril de carvalho.

O produtor lamenta, no entanto, a falta de apoio do Ministério da Agricultura para incentivar mais investimentos na produção. Ele também reclama dos impostos altos e sugere maiores incentivos governamentais para aumentar a produção.

A Casa Barbinotto é a única destilaria da Baixada Fluminense citada na Carta de Cachaça do Estado do RioEstefan Radovicz / Agência O Dia

Setor movimenta R$ 8 bilhões e tem potencial para crescer

Presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Ribeiro concorda com a reclamação dos produtores. Ele afirma que a indústria brasileira da cachaça tem potencial para fabricar mais. “O Brasil produz 800 milhões de litros por ano, mas tem capacidade para 1,2 bilhão. No país há 1.500 empresas destiladas produtoras de cachaça e na Baixada há boa safra”, afirma ele. No Brasil, a indústria da cachaça movimenta R$ 8 bilhões por ano.

Kátia faz em Carmo a Cachaça da Quinta%2C premiada mundialmenteEstefan Radovicz / Agência O Dia

A presidente da Associação dos Produtores de Cachaça do Estado do Rio de Janeiro, Kátia Alves do Espírito Santo, informa que no estado há 60 destilarias legalizadas e cerca de 200 sem o selo do Ministério da Agricultura.

Kátia é dona da Cachaça da Quinta, produzida na cidade de Carmo, na Região Serrana, e considerada uma das melhores do país. A pinga da marca foi eleita a melhor do mundo num concurso em Bruxelas, na Suíça, em 2013.

Uma branquinha com jeito gaúcho

É no alambique de seu sítio de 20 mil metros quadrados em Seropédica que Alencar Barbinotto, gaúcho de Farroupilha — há 32 anos na Baixada — produz sua cachaça artesanal. São cinco marcas: Casa Barbinotto (armazenada no barril de jequitibá rosa); Sol da Manhã (castanha-do-Pará); Chica Cangaceira (barril de inox), Porta-Bandeira (carvalho) e Urcana, que tem menos volume de cachaça por litro de caldo.

Ele ainda fabrica bebidas mistas, nos sabores mel e limão, tangerina e cravo e canela. “Aprendi a técnica com meus pais e avós. É uma tradição em família que vem do Rio Grande do Sul”, conta o empresário. O sítio fica aberto para aqueles que gostam de degustar de segunda a sábado das 8h às 18h.

Investimentos por amor à pinga

Num momento de crescimento do setor, mais produtores estão investindo na produção de cachaça na Baixada Fluminense. É o caso de Carlos Antônio Clementino dos Santos, 56 anos, um paraibano de Guarabira que chegou a Duque de Caxias em 1965 e é um fã confesso da pinga.

Dono do restaurante e cachaçaria Mussarela, em Caxias, onde oferece 300 rótulos da branquinha, vindas de alambiques de Minas Gerais e de estados nordestinos, ele começa a produzir sua própria bebida de forma artesanal. “Já comprei um alambique e produzo quatro litros de cana por dia, mas vou ampliar a produção para 50 litros”, diz.

Carlos Antônio%2C dono do Mussarela%2C quer produzir a cachaça artesanal mais por amor do que pelo lucroEstefan Radovicz / Agência O Dia

Santos planeja ainda comprar uma área na zona rural de Duque de Caxias para cultivar sua própria cana. “Quero me tornar um produtor de pequeno porte. Vou ter minha destilaria”, diz ele.
O empresário garante, no entanto, que entrou para o setor mais por amor à cachaça do que por interesse em altos lucros.

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