Na caminhada da campanha, alianças ficam para trás

Pelo menos cinco prefeitos da Baixada confirmam que vão desrespeitar seus partidos no apoio a candidatos

Por O Dia

Rio - No xadrez eleitoral, o xeque-mate pode estar na Baixada Fluminense. Não falta candidato a governador e a presidente da República tentando seduzir os 2,7 milhões de eleitores da região, que representam 22% dos votos do estado.

E a busca pelos votos passa pelos prefeitos. Dos 13 da Baixada, cinco, até agora, vão contrariar seus partidos, e todos — entre ‘Aezão’ e ‘Dilmão’ — darão e desatarão as mãos conforme o palanque.

O histórico PCdoB é um deles. Tem em Belford Roxo (320 mil eleitores) seu representante na região: Dennis Dauttmam</CW>, mas engana-se quem acreditar que, por a legenda fazer parte da Frente Popular, ele apoiará o senador Lindberg Farias, do PT, ao governo do estado. “Estou com Pezão!”, afirma o prefeito, cuja opção rendeu a inimizade de Sandro Matos, prefeito da vizinha São João de Meriti (364 mil votos), de quem foi amigo por 25 anos.

Matos, aliás, também decidiu peitar seu partido, o PDT, para ficar com Lindberg, adversário do governador Luiz Fernando Pezão, do PMDB, que terá, caso eleito, o deputado pedetista Felipe Peixoto como vice. Mas, ainda com candidatos diferentes no estado, ambos estão com a petista Dilma Rousseff e com Carlos Lupi, ao Senado.

Ainda no campo da chamada esquerda está Tarciso Pessoa, prefeito de Paracambi (33 mil eleitores). Mesmo filiado ao PT, como Lindberg Farias, ele votará em Pezão. Seu discurso é o mesmo que o de todos os que contrariam seus partidos: “Apoio Pezão porque ele tem sido um grande governador para a minha cidade”, justifica-se.

Os outros dois da Baixada que publicamente darão as costas ao partido para “seguir a própria consciência” são Gelsinho, de Mesquita (133 mil votos), que, embora tenha o Pastor Everaldo como presidenciável do PSC, seu partido, ficará com Aécio Neves, do PSDB. Já em Japeri (69 mil eleitores), Timor anunciou que não quer saber de ‘Aezão’, como quer o seu PSD, e ficará com ‘Dilmão’.

De todos candidatos ao Palácio Guanabara, a sede do governo estadual, o governador Pezão é o que sai na frente das alianças na Baixada: tem 12 das 13 prefeituras; Lindberg, uma. Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB) não têm nenhuma.

Para o cientista político da UFRJ Paulo Baía, ter o prefeito ao seu lado é tão importante quanto ter tempo de TV. “Os prefeitos têm a máquina municipal e os vereadores na mão. E são eles que consolidam a imagem que se passa no horário eleitoral”, explica.

Problemas do dia a dia decidem voto

A diferença da qualidade de serviços e infraestrutura oferecidas aos moradores da Baixada na comparação aos que estão na Zona Sul do Rio reflete no voto, opina o cientista político Paulo Baía, para quem a região, sendo o segundo maior colégio eleitoral do estado, é imprescindível tanto chegar ao governo estadual quanto à Presidência da República.

Para ele, o eleitor da região é mais prático e pragmático na hora de votar, enquanto o das áreas ricas da capital é ideológico. “O cidadão de regiões populares vai querer resolver seus problemas do dia a dia, e o candidato que puxar para si a responsabilidade sobre a resolução das carências terá seu voto”, diz Baía.

A estratégia é visível. Quando Lindberg e Pezão fazem discursos na Baixada, falam do dia a dia. Recentemente, em Belford Roxo, o senador petista apontava a falta d’água e a Segurança Pública — problemas que afligem quem mora na região — como grandes metas.

O mesmo fez Pezão, na semana passada, durante a inauguração do Arco Metropolitano. Após sobrevoar a via e ver que crianças de Nova Iguaçu usavam as pistas ainda vazias como lazer, prometeu, em seguida, construir um parque no local.

A luta pelo coração do eleitor das 13 cidades é estendida aos presidenciáveis. A presidenta Dilma fez questão comparecer à inauguração do Arco e articula com o prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso (sem partido), o movimento Dilmão — dos prefeitos que apoiam a reeleição dela e a do governador. Caxias é o terceiro colégio eleitoral do estado, com 620.752 eleitores.

Em contrapartida, seu rival Aécio Neves estará na quinta-feira em Queimados, tentando abocanhar os 104.788 votos da cidade. Com ele, estará o prefeito Max Lemos, do PMDB, partido do vice de Dilma Rousseff, Michel Temer.

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