São João e Mesquita premiadas pela lição bem feita na Educação

Cidades recebem do governo federal o Selo Território Livre de Analfabetismo

Por O Dia

Rio - Cidadã de fato. Assim diz se sentir agora a dona de casa maranhense Ana Zilda da Conceição, de 52 anos, moradora de São João de Meriti. Sem saber ler ou escrever até pouco tempo, ela sintetiza o resultado das políticas educacionais adotadas por São João de Meriti e por Mesquita, que receberam nesta semana o Selo Território Livre de Analfabetismo, concedido pelo Ministério da Educação.

Em meio ao não tão bom contexto educacional da região, as duas cidades, além de Nilópolis, que já recebera em 2007, são as únicas da Baixada Fluminense onde mais de 96% da população é alfabetizada, segundo o IBGE.

Juntas, as duas têm 40.638 alunos (13.993, Mesquita) e (26.645, São João de Meriti), sendo 12% deles da Educação de Jovens e Adultos (EJA), grupo no qual se concentra a maior parte dos analfabetos. Nele também estão os que apresentam distorção na relação idade/série — uns por repetência; outros por ter abandonado os estudos.

Em Meriti%2C alunos e professores festejam o SeloEstefan Radovicz / Agência O Dia

A coordenadora da EJA de São João de Meriti, Leila Rocha, diz que alcançar os que estão fora da escola é difícil. “Estão desmotivados, resistentes ou com pouco tempo, pois se dedicam à família e ao trabalho”, explica ela, orgulhosa do resultado.

O mesmo sentimento tem o diretor do Departamento Pedagógico de Mesquita, Alexandre Vieira, que vê o prêmio como resposta ao investimento em estrutura e qualificação dos professores. “É trabalho de anos”, diz.

Em Mesquita, mora a dona de casa Elionice Santos, 65, que melhora a renda vendendo doces. Agora que aprendeu a ler, já planeja continuar estudando. “Tomei gosto e quero chegar à faculdade de Enfermagem”, diz ela, que tinha dificuldade na hora do troco. “Ninguém mais me engana, não!”.

Ação contínua para atrair alunos

Diante dos alunos que reuniu para que relatassem suas experiências à reportagem, a coordenadora do EJA de São João, Leila Rocha, lista as ações às quais atribui o sucesso do programa: ligar para os alunos faltosos; ter espaço de acolhimento para seus filhos; encaminhar os jovens aos cursos técnicos do Pronatec, programa do governo federal; e, no fim do curso de alfabetização, direcionar o aluno a outros ciclos de estudo.

Nilópolis, a até então única da Baixada a receber o Selo, tem ações parecidas. Segundo a superintendente, Amanda Cataldi, “ouvir o aluno e entender suas necessidades são imprescindíveis para que seja alfabetizado”.

A aposentada Selma Oliveira, de 66, aprendeu não só a ler, mas a navegar na internet. “Ganhei o mundo”.
Niterói, São Gonçalo, Rio, Volta Redonda e Rio das Ostras são as únicas outras do estado com o Selo.

Alfabetizada%2C Dona Selma navega pelo mundo através da internetEstefan Radovicz / Agência O Dia


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