Por ramon.tadeu

Rio - Foi ano passado, durante o Festival Mundial da Cachaça de Salinas, após um dia inteiro bebendo ‘caninhas’ diversas, que o bravo Mussarela, dono do bar imperdível em Caxias, sugeriu a Sérgio Rabello, do Galeto Sat’s, no Rio: “Vamos tomar um táxi agora?”. E o amigo, mais para lá do que para cá, respondeu: “Vamos ficar na pinga mesmo, não convém misturar”. A dupla dinâmica viajou na quinta-feira e está novamente na festança mineira a visitar os melhores alambiques da região que é considerada o paraíso brasileiro do ‘tira-juízo’, a bebida destilada mais antiga das Américas.

Carlos Antônio ‘Mussarela’, por sinal, acaba de adquirir em Juiz de Fora um pequeno alambique de cobre e vai seguir o caminho dos apaixonados por ‘aquela que matou o guarda’. Ele pretende começar a produzir em breve, e apenas para consumo próprio e dos clientes mais chegados, seu próprio ‘bafo de tigre’. Coisa de cinco litros de pura cachaça a cada partida.

Novidade%3A baião de dois finalizado com costelinha suína e ovosDivulgação

Enquanto isso, o paraibano curte suas costelas de porco e cordeiros na ‘marvada’, dando preferência de sabor às que descansaram em barris de carvalho. Perguntei a ele o que anda passando pelo seu copinho na atual temporada, e já ando atrás de sugestões como a Magnífica Soleira, de Vassouras (RJ), a Canarinha, de Salinas (MG), e as paraibanas Cigana e Volúpia. Na cozinha, o próximo lançamento do Mussarela, em fase de testes, será o baião de três: baião de dois completo que é finalizado com costelinha suína e dois ovos por cima.

O ‘suor de alambique’, é bom que se diga, está em alta na Baixada Fluminense, região que figura com louvor no recém-lançado livro ‘Carta de Cachaças do Estado do Rio de Janeiro’, produzido pela Associação dos Produtores de Cachaça (Apacerj) e o Sebrae/RJ. A Casa Barbinotto, de Seropédica, é um dos 17 alambiques resenhados na obra. Fundada em 2008, a empresa trabalha com três variedades de cana cultivadas em parceria com produtores rurais da região.

Como manda o figurino da boa cachaça, a destilação é feita em alambiques de cobre, com a separação da cabeça e da cauda — início e fim, partes do destilado com componentes indesejados — para a obtenção do ‘coração’, a parte nobre do líquido. A linha de produtos, variada, tem diferentes sabores. São 12 rótulos, incluindo licores de cravo e canela. As bebidas descansam um mínimo de seis meses em madeiras como jequitibá rosa, carvalho e castanheira. Só coisa fina, deixando muito ‘uisquesito’ para trás.

MUSSARELA. Rua Reia 225, Vila Rosário, Duque de Caxias. Telefone: 2781-1974. Quarta a sábado, das 11h às 22h; domingos e feriados, das 11h às 19h. Aceita todos os cartões de débito e crédito.

Você pode gostar