Por ramon.tadeu

Rio - A Prefeitura de São João de Meriti planeja cortar gratificações de servidores e cargos de confiança. Alega dificuldade para fechar o orçamento, por causa do atraso e da redução de repasses dos governos federal e estadual.

Por não pagar salários em dia, serviços, como os da área de Saúde, são afetados. Profissionais estão faltando, e aparelhos essenciais, quebrados.

De acordo com funcionários de unidades de saúde, diferentemente do informado pela prefeitura em 26 de julho, nem todos os que ganham até R$ 2 mil haviam recebido os vencimentos. Os pagamentos, que deveriam ser depositados em 7 de julho, só entraram na conta no dia 31.

A equipe do DIA esteve no Posto de Atendimento Médico (PAM) de Éden durante a semana e constatou longas filas para atendimento. Segundo funcionários, cerca de 40% dos profissionais haviam faltado por não terem recebido seus pagamento.

No PAM de Éden%2C funcionários teriam faltado ao plantão do último fim de semana. Prefeitura nega que desfibriladores estejam com defeitoDivulgação

Numa das salas, funcionários mostraram dois desfibriladores que estavam com defeito. “Já chegou gente aqui com parada cardíaca e acabou morrendo porque os aparelhos estão quebrados”, disse uma funcionária.

A prefeitura nega, no entanto a informação dos profissionais. A versão oficial é que os hospitais da rede municipal não apresentam déficit de pessoal por causa dos atrasos no pagamento.

Após denúncias de leitores publicadas dia 26, informando sobre a existência de baratas no refeitório do PAM de Éden, quatro homens limpavam o local na terça-feira.

Com relação à foto do leitor que ilustrou a reportagem — mostrando um ar-condicionado que foi destruído pelas chamas após curto-circuito —, a Prefeitura de São João de Meriti informou que o incidente ocorreu há dois meses e que o aparelho foi retirado na mesma semana. Mas, em visita ao local, a reportagem verificou que ainda não foi instalado outro aparelho de ar-condicionado na sala, onde pacientes recebem oxigênio.

Cortes de gastos começam em agosto

Em agosto, serão anunciados os cortes nas gratificações de funcionários e demissões de servidores comissionados, para que a prefeitura feche o balanço da folha de pagamento. As informações serão divulgadas após a conclusão de levantamento que é realizado pelo governo municipal a cada quatro meses.

O secretário do Gabinete de Apoio Técnico ao Prefeito, Sérgio Jund, disse que não sabe quanto precisará cortar, porque depende do estudo, que ficará pronto no início do segundo quadrimestre. “O primeiro passo é cortar as gratificações. Caso não seja suficiente, teremos que reduzir cargos comissionados. Estamos agindo de acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal”, explica o secretário.

A prefeitura informou que paga atualmente a 8.600 servidores, sendo 4.600 efetivos e 4.000 comissionados. Ainda de acordo com o município, os gastos mensais com a folha de pagamento estão na ordem de R$ 18 milhões e 250 mil. Não é possível dimensionar, no entanto, quanto seria preciso enxugar.

O recadastramento dos servidores já começou a ser feito.“Embora pertençamos à esfera pública, é difícil não encontrar similaridade com uma empresa privada na hora de equilibrar o orçamento”, alega o secretário Sérgio Jund.

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