Por ramon.tadeu

Rio - De baixo de sol ou chuva, eles estão lá. Os ‘profissionais’ do voto tomam as ruas para convencer eleitores a votar em seus candidatos. Distribuidores de panfletos e de bandeirolas, locutores e pregadores de placas são contratados para divulgar nome e número dos políticos. Das campanhas milionárias às modestas, uma coisa é certa: a graninha extra, de R$ 400 a R$ 2,4 mil, está garantida até o mês de outubro.

Em Nova Iguaçu,um grupo chama a atenção por sua forma descontraída. São 24 mulheres que se dividem na panfletagem, em acenar com bandeirolas e segurar placas. Um das mais animadas é Janaína Rodrigues, de 37 anos, mãe de três filhos e que mora no Ponto Chic.

Romildo faz locução e também ajuda no galpão Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Janaína , que estava desempregada, cumpre carga horária de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30 e nos sábado das 8h às 13h. Ela recebe R$ 250 por semana, além do almoço. “Além de ganhar uma graninha, me divirto, porque gosto de política”, diz.

Uma função que também é muito procurada neste período é a de motorista. São eles que circulam tocando os jingles de campanha e levando empregados e o material dos candidatos.

Damião Dias da Silva, 57, de Nova Iguaçu, desempregado há quase um ano, é um deles. Ele alugou sua Kombi e trabalha como motorista. “Estou esperando sair minha aposentadoria. Enquanto isso, faço bicos para levar o sustento para casa. Trabalho na campanha de segunda-feira a sábado, das 8h às 17h, e recebo R$ 2,4 mil”, conta.

De acordo com o cientista político e professor da Unirio Felipe Borba, o período eleitoral gera um forte impacto na economia. “Em 2010, os candidatos arrecadaram mais de R$ 1 bilhão nas campanhas para governador. Só no Rio de Janeiro, o gasto declarado por eles foi de aproximadamente R$ 80 milhões. São valores que movimentam a indústria de bens e serviços e geram emprego, nos mais variados setores”, afirma Borba.

Moradora de Copacabana, em Duque de Caxias, a desempregada Elisama de Oliveira, de 21 anos, trabalha numa campanha pela primeira vez. de segunda-feira a domingo, das 8h às19h, e recebe R$ 450 por semana. “Pego parte do dinheiro para ajudar nas despesas de casa, como as contas de luz”, revela Elisama.

Carregadores de bandeiras são os mais chamadosFabio Gonçalves / Agência O Dia

A voz da campanha em Queimados

Em Queimados, quando o assunto é locução e animação de campanha, uma voz já vem na mente das pessoas. É a do locutor Romildo Moras, 42, que mora em Valdariosa. O profissional trabalha em caminhadas e carreatas desde a primeira eleição do município, em 1992.

Reconhecido por todos por seu timbre de voz, Romildo ajuda seus candidatos nos trabalhos administrativos realizados no galpão de campanha. “Meu trabalho é muito prazeroso, porque não há nada melhor que ver o entusiasmo e a alegria das pessoas nas ruas. Ser o porta-voz dessa galera não tem preço”, afirma.

Ele revela também que antes de começar um trabalho, sente um frio na barriga. “A adrenalina fica lá no alto e me deixo levar pela emoção. Este bico me rende R$ 2 mil por mês. Trabalho todos os dias das 8h às 20h”, conta.

Neste período eleitoral, as gráficas também são disputadas, para a impressão de santinhos e adesivos para carros. Segundo o empresário Raul Ventura, dono de uma gráfica em Queimados, o setor cresce de 25% a 35% em função das eleições para presidente, senador, governador e deputado. Na municipal, para prefeitos e vereadores, o movimento chega a 100% da capacidade de produção. “O maior aumento se dá nas gráficas mais equipadas e com capacidade para produção rápida e de qualidade dos materiais relativos à eleição”, afirma.

Segundo Ventura, a propaganda impressa se diferencia das demais porque é a única que o eleitor usa na hora da votação. “Não acredito que o político vá abrir mão desse material e optar somente por mídias eletrônicas. Por isso, em toda campanha, é certo o aumento do movimento”, explica o empresário.

Praças de Caxias lotadas de bandeiras

Em Duque de Caxias, é só andar pelas praças do Pacificador e Roberto Silveira, no Centro, para encontrar carregadores de bandeiras com sua animação e irreverência.

A moradora da Vila São Luís Rogéria dos Santos, 45, aproveita a parada do sinal de trânsito para pedir votos. “Trabalho de domingo a domingo, das 9h às 18h e recebo R$ 400 por quinzena. Vou usar o dinheiro para comprar roupas de Natal para meus filhos”, conta Rogéria, que tem quatro filhos.

Estúdios de gravação têm muita procura

Outro setor com grande demanda no período eleitoral são os estúdios de gravações. Em Queimados, Alexandre Monsores, de 43 anos, é um dos mais procurados. Ele aluga o espaço para a gravação dos jingles de campanha . “Não deixo transparecer que tal candidato que esteja produzindo um jingle é o meu”, afirma.

Monsores conta que o movimento nos estúdios em época eleitoral é intenso. “Em quatro anos, já fiz cerca de 50 jingles”, conta.

O preço varia de R$ 800 a R$ 1,5 mil, dependendo do cargo do candidato e da região.

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