Um pouco de história: As manifestações de fé na Baixada

Genesis Torres relembra os movimentos de fé religiosa da região ao longo da história de ocupação do território

Por O Dia

As manifestações da fé religiosa do povo baixadense ao longo da história de ocupação do território têm sido marcadas por grande pluralidade. No período colonial, a Igreja Católica era um dos sustentáculos do poder institucionalizado. Cuidava o Estado das questões seculares e a Igreja da questão universal. Na Baixada, forja algumas características bem peculiares, umas de ordens naturais e outras ligadas às interatividades culturais.

A insalubridade provocada pelos terrenos baixos com alagados, as dificuldades de comunicação e isolamento das localidades e as doenças advindas das questões naturais deixavam as pequenas comunidades desamparadas diante de uma natureza bastante hostil. A população era marcada por três grupos bem definidos: o branco; o negro; o índio. E a consequente miscegenação Nas décadas finais do Século 18 e início do 19, com mudanças na Europa, novos grupos surgiram, movimento que continuou nos séculos 19 e 20.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Baixada recebeu contingentes populacionais de praticamente todo o território nacional, com transferência em massa das diversas subregiões nordestinas. Cada um trazendo na bagagem sua cultura religiosa e elementos de seu folclore religioso. A religiosidade nordestina passa a ter presença considerável no contexto da formação da cultura local.

Capela Santa Rita de Luziê recebeu milhares romeirosDivulgação

Vejamos este relato: “Um marinheiro de nome João Pereira da Silva (João da Santa) contava ter nascido em 1º de janeiro de 1922, na entrada do ano em uma missa campal, na cidade da Ilha de Bispo, no Estado da Paraíba. Sua história começou em 1953, no Domingo de Ramos. João recebeu um aviso de vozes estranhas, para ir ao mar. Dirigiu-se ao cais do porto do Rio de Janeiro, alugou uma embarcação e foi conduzido até a Baía da Guanabara. Lá, chegando ao meio-dia, João ouviu os sinos das igrejas.

Repentinamente, o mar revoltou-se fazendo remanso em volta da pequena embarcação. João suspendeu-se e ficou olhando para a terra, notou alguma coisa em suas mãos. João olhou e disse: apareceu uma santa jogada pelo mar em minhas mãos. Neste momento de aflições, o dono da embarcação, João de Mello, estava muito doente de seus olhos e foi logo curado”.

João levou a santa para São João de Meriti, onde morava no Vilar dos Teles, foi perseguido, mas resistiu. Os milagres da santa tiveram ampla cobertura nos jornais da época, inclusive com a cura de um câncer na mãe do então ministro da Marinha. A história de João da Santa não termina episodicamente. Durante sua vida, a pequena capela a Avenida Cabo Frio, chamada de Santa Rita de Luziê, recebeu milhares de romeiros no pacato bairro de Vilar dos Teles.

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