Bateria social nota 10 em Nilópolis

Beija-Flor ensina percussão de graça a jovens que desejam se tornar ritmistas. Quase todos são aproveitados na bateria

Por O Dia

Repiques, pandeiros e tamborins vêm transformando vidas em Nilópolis. Todo sábado, das 9h às 14h, 150 crianças e jovens carentes se reúnem na quadra da Beija-Flor para aprender percussão de graça. Eles sonham em um dia fazer parte do coração da escola e desfilar como ritmistas na Marquês de Sapucaí.

E o trabalho tem se refletido em bons resultados. Quase 100% dos 270 componentes da bateria são resgatados do projeto, que além de formar ritmistas, estimula noções de disciplina, direitos e deveres. O quesito também recebeu a nota máxima nos desfiles desde o início do projeto em 2010.

O mestres Plínio de Moraes e Rodney Ferreira ensinam os segredos de instrumentos como surdo, caixa, repique, chocalho, tamborim, cuíca, agogô, reco-reco, prato e pandeiro. Para participar, é preciso a estar matriculado numa escola e ter boas notas.

O mestre Plínio de Moraes explica que o projeto é o melhor caminho para se tornar um integrante da bateria. “É também um trabalho de renovação, fundamental para a continuidade da bateria. Estamos conseguindo agregar o aspecto social à formação de ritmistas. É uma escola 100% da comunidade”, ressalta.

Trabalho pesado

De acordo com o mestre Rodney Ferreira, o segredo para o sucesso é o trabalho pesado, que tem início no mês de maio. “Ensaiamos três vezes por semana para sustentar ritmicamente o canto da escola e, na medida do possível, fazemos as nossas paradinhas dentro da melodia do samba, que é o nosso diferencial”, explica o professor.

Para participar das aulas, é preciso estar matriculado em uma escola e tirar boas notasEstefan Radovicz / Agência O Dia

Enredo será sobre Guiné Equatorial

?A Beija-Flor, que já ganhou 12 títulos, vai contar na Avenida a história da África, fazendo uma conexão direta com a Guiné Equatorial, a maior produtora de petróleo africana. A escola será a terceira a desfilar na segunda-feira de Carnaval, no dia 16 de fevereiro.

Além de formar ritmistas, a escola de Nilópolis oferece outras atividades gratuitas, como futebol, natação, dança de salão e formação de passistas.

Laísa Lima, de 14 anos, participou do início do projeto e hoje toca tamborim nos desfiles da agremiação nilopolitana. “Todos temos amor pela escola. O projeto me abriu as portas para entrar na bateria e, por isso, frequento as aulas até hoje para aperfeiçoar e aprender novos instrumentos”, diz.

O ritmista Felipe Guimarães, de 16 anos, que toca caixa, contou que as notas escolares melhoraram depois que entrou no projeto, em janeiro deste ano. “Não vejo a hora do meu primeiro desfile pela Beija-Flor. Acho que vou sentir um friozinho na barriga. Estou me dedicando aos ensaios para fazer bonito na Sapucaí”, garante.

Mas também tem aqueles que pretendem usar o que aprenderam no projeto em outras atividades. É o caso de Wendell de Oliveira, de 17 anos, que toca repique. “Aqui tive a base da música. Quero levar o conhecimento para a carreira militar”, revela.

No próximo domingo, o grupo Made in Samba, formado por componentes da bateria, vai se apresentar na tradicional Feijoada da Beija-Flor. A atração principal do evento é o cantor Jorge Aragão. O portão abre às 14h. Os ingressos custam R$ 15, a pista, e R$ 120, a mesa para quatro pessoas. O prato da feijoada sai por R$ 15. Outras informações pelos telefones: 2791-2866 ou 7896-4498.


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