Um pouco de história: Os povos sambaquianos da Baixada III

Genesis Torres relembra fase dos sambaquis de Magé

Por O Dia

A terceira e última fase pré-cerâmica dos sambaquis de Magé foi designada fase Sernambi. Nela, estão presentes moluscos adaptados aos fundos lodosos dos manguezais estuarinos, com águas rasas e de baixa salinidade. Há maior quantidade de ossos de animais terrestres. A fase Sernambi é associada à exploração generalizada dos recursos disponíveis em ecossistemas de manguezais estuarinos, com pequeno incremento da caça e com a pesca de espécimes de pequeno porte.

Facas, talhadores e artefatos lascados da indústria líticaDivulgação

Há um novo incremento da indústria lítica, que se torna mais popular que a sobreosso, com grande número de artefatos lascados e lascas de quartzo. Registraram-se raspadores, furadores, pontas-de-arremesso triangulares, facas, quebra-cocos, percutores, lâminas-de-machado, talhadores e alisadores. Quanto aos artefatos sobreosso, ainda que menos frequentes, apresentam-se com a mesma tipologia da Guapi, destacando-se a grande incidência das espinhas alisadas formando as agulhas. Recuperou-se um único sepultamento, muito danificado, com as mesmas características da fase Guapi. A fase Sernambi permanece até a superfície do sítio, quando ocorre em associação com a cerâmica Tupi-Guarani e neobrasileira, dando origem a fase Magepe.

De todo o exposto, fica claro que os sambaquis do Rio de Janeiro não são homogêneos, diferindo não só quanto à localização e padrões de assentamento, mas também e, principalmente, quanto aos padrões culturais e econômicos dos grupos que os habitaram, variabilidade esta que pode ser creditada aos diferentes contextos ecológicos em que se inserem, à época da ocupação, com suas características climáticas próprias e as adaptações culturais a que deram lugar tais fatores.

O professor Ondemar Dias agrupa, em uma única grande tradição, a Macaé, assim designada em homenagem à primeira fase descrita para os sambaquis do Rio de Janeiro, feitas pelo professor em 1969, que a subdivide em quatro subtradições: Mambucaba, Guapi, Macaé e Magepe.

Esses sítios testemunham a ocupação por pequenos bandos de coletores de moluscos, os quais, em alguns locais na fase Magé, praticaram também a pesca a cetáceos e grandes peixes. Essa subtradição tem, ainda, como características diagnósticas, uma indústria lítica integrada, predominantemente por artefatos-sobre-seixo, quebra-cocos, talhadores, percutores, seixos utilizados, lâminas-de-machado, ocorrendo raros artefatos sobre lascas.

Os artefatos-sobre-concha estão presentes, mas há uma quase total ausência de artefatos-sobreosso. Essa é uma pequena síntese do trabalho realizado pelos professores Alfredo Mendonça de Souza e Sheila Ferraz Mendonça de Souza, texto original encontrado no Arquivo Museu de Historia Natural Vol. VI/VII.

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