Um pouco de história fala sobre Hospitalidade da Vila de Magé

Genesis Torres relembra os costumes desenvolvidos nos vilarejos interioranos da Baixada Fluminense

Por O Dia

Os costumes desenvolvidos nos vilarejos interioranos do Brasil criaram tradições que hoje em muito caracterizam os modus vivendi dessas populações. Em algumas cidades ou regiões, a tradição qualifica e dá as formas de tratamento do povo.

E foi assim que John Luccock encontrou Magé em 1816, deixando sobre a vila e o povo esta pérola que merece destaque: “A Vila é bem situada, na extremidade do terreno firme, a quatro milhas da baía, e para se ter acesso era obrigatório navegar na maré alta. Possui ruas bem arrumadas, casas de superior qualidade, bom mercado de peixe e ótima igreja. O comércio é farto e bem organizado, e muito frequentado, com boas exportações”.

Luccock já conhecia outras vilas e, ao comparar, afirmava que Magé era uma das mais importantes das vizinhas à capital. Quando fala da hospitalidade de nossa gente, em diversas regiões por onde passou, comentava que seria ingratidão não destacar a peculiar civilidade do povo mageense.

O hotel da vila ficava no Porto da Piedade em Magé Divulgação

Luccock visitou a Vila acompanhado de um professor inglês de Medicina e Química. Na Vila, entrou em uma das vendas e encomendou um frango para o jantar e, enquanto preparavam, saíram a caminhar, na intenção de navegar pela tarde com a maré alta. Ao regressar foi abordado por “um senhor de boa aparência e maneiras polidas que informou ter dado ordens para que a refeição fosse servida nos aposentos dele, achando-se tudo pronto. “Subimos para um belo lance de quartos, no sobrado da venda, onde encontramos uma família de dez ou doze pessoas, das quais algumas acabavam de chegar do porto. Para mais de 20 pratos compunham o jantar, divididos em entradas, e homens e mulheres sentavam-se misturados à mesa”, contou o visitante.

Além disso, narrou que, como estranhos, foram colocados à cabeceira da mesa, com o dono da casa à esquerda, enquanto uma senhora idosa sentou a sua direita. “A refeição decorreu cordial e animada, com cerimônia muito menor com a que esperávamos, e a garrafa circulou à moda inglesa, com liberdade regulada. Passamos a fresca da tarde na melhor das sociabilidades, em espaçosos jardins e, no crepúsculo, despedimo-nos”, escreveu Luccock.

“A hospitalidade de Magé não ficou nisso, como não havia maré alta, fomos obrigados a pernoitar na Vila. Sabedores que não iríamos partir, as mesmas pessoas nos convidaram para o jantar. Após a ceia, levaram-nos para os aposentos, onde havia uma ama para cada um, munida de todo o conforto necessário. Sobre a mesa, havia um castiçal, um espelho, um jarro d’água e uma garrafa com dois quartos de aguardente francesa. Pensavam os mageenses que todo bretão é insolitamente dado às bebidas.”

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