Por marcelle.silva

Que a Baixada Fluminense sofre com a falta d’água não é novidade para ninguém. Mas o período de seca prolongada começou a causar um problema para os que vivem do turismo ecológico na região. Opção de lazer e diversão para os moradores durante o verão, os rios e as cachoeiras de Nova Iguaçu, Duque de Caxias e Magé estão secando.

De acordo com o coordenador de educação ambiental do Parque da Taquara, Marcos Cunha, não é permitida entrada de garrafas de vidro para manter o local conservado Estefan Radovicz / Agência O Dia

Na Reserva Biológica de Tinguá, em Nova Iguaçu, o número de visitantes caiu pela metade depois que as águas dos Rios Tinguá e Boa Esperança praticamente sumiram entre as pedras. Segundo o comerciante Fabiano Barros, 51, o nível do rio é acima de um metro, mas a seca baixou para cerca de apenas 30 centímetros. “As pessoas ainda vêm por conta do verde, porque hoje se não tiver chuveirão ninguém toma banho. Só dá para no máximo molhar o pé”, afirma.

A expectativa dele é de que o fluxo de turistas volte ao normal no verão. “Cada vez mais a vazão de água é menor. Está ficando difícil”, ressalta o comerciante.

O gestor ambiental da Ong Onda Verde, Diogo Luiz, aponta que a falta de chuva e o desmatamento da vegetação às margens dos rios e cachoeiras são as principais causas do problema. Já o secretário de Urbanismo, Habitação e Meio Ambiente de Nova Iguaçu, Giovani Guidone acredita que o problema é devido ao baixo índice pluviométrico. “Acredito que com as chuvas de verão, os mananciais voltarão a sua normalidade”, disse.

Banhos suspensos

Alguns poços do Parque da Taquara não há água

 Parque Natural da Taquara, em Duque de Caxias, a situação não é muito diferente. Os banhos foram suspensos em alguns locais por falta de água, como nos poços que ficam antes da barragem da Prainha. Além disso, 90% das nascentes estão secas e o nível de água das cachoeiras que em período normal era de 1,5 metros, hoje está em 50 centímetros.

Os moradores disseram que há captação irregular de água no local pela Cedae. Segundo o secretário municipal de Meio Ambiente, Luiz Renato Vergara, a falta de chuva é a principal causa do problema. “Notifiquei a Cedae para que ela se regularize e pare com a captação provisória até o mês que vem. A captação irregular contribui para o nível de água diminuir, mas não é determinante”, afirma.

Apesar da situação, o local ainda é um dos pontos turísticos mais procurados na região durante o calor. Segundo o coordenador de educação ambiental do Parque, Marcos Cunha, o espaço recebe cerca de 5 mil turistas nos fins de semana. “Não permitimos churrascos, nem que subam com aparelhos sonoros e garrafas de vidro para manter o local conservado. Recolhemos quase 4 mil quilos de lixo por semana”, revela.

Os estudantes Mateus Fernandes, 18, e Katiane Souza, 17, aproveitam o romantismo da natureza para namorar e relaxar nas águas do Poço da Lontra, que apesar de está com o nível abaixo do normal ainda dá para tomar banho. “Está ficando tudo mais raso. Aqui é o lugar onde as famílias se divertem, se a água acabar vai acabar com nossa diversão”, frisou Katiane.

Já em Magé, as cachoeiras de Pau Grande e Raiz da Serra são as mais afetadas com a seca. Mas as chuvas que caíram nos últimos dias voltaram a aumentar o nível de água das cachoeiras. Como prevenção, a Defesa Civil monitora 24 horas o clima na Serra dos Órgãos. Se o limite pluviométrico chegar a 20 milímetros é feita a desocupação dos banhistas. O secretário de Meio Ambiente, Aldecir Ribeiro, destaca que as cachoeiras são o ponto forte do turismo de Magé. “Se o clima se mantiver no mesmo patamar, certamente corremos o risco dos rios e cachoeiras secarem”, alerta.

Procurada pela nossa reportagem, a Cedae não se manifestou sobre o assunto.

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