Genesis Torres: Um pouco de história

JOHN CHARINGVIROU XERÉM, EM DUQUE DE CAXIAS

Por O Dia

A Baixada Guanabarina até meados do Século 18 era região muito bem servida de águas que corriam em caudalosos rios, desde o Rio Meriti, na divisa com a cidade do Rio de Janeiro, até o Rio Macacu, com a Vila de Magé. Moradores, em épocas chuvosas, ficavam ilhados e seus únicos meios de locomoção eram as canoas, chatas, saveiros e outros transportes aquáticos. Esses rios tinham suas nascentes tanto na Serra do Mar (Tinguá, Petrópolis e Órgãos) como na Serra do Gericinó.

Inglês teve o nome modificado para Cherém e depois XerémDivulgação

Sair do Rio de Janeiro e galgar a serra em direção ao interior era uma epopeia, sempre caminhando em terras firmes para driblar os alagadiços e os rios. Mesmo assim, o homem contentava-se em permanecer na várzea, cultivando suas terras férteis e seus santos de devoção.

Com a descoberta do ouro na região das Gerais pelos paulistas, houve um grande fluxo migratório do interior para o interior e do litoral para o interior, a Baixada passa a ser lugar de passagem obrigatória. O primeiro caminho foi aberto 1704 por Garcia Rodrigues Pais, filho do caçador de esmeraldas Fernão Dias Pais, vindo do interior de Minas e terminando em Xerém.

Pilar até então fora um porto de escoamento da produção local de cerâmica, aguardente, feijão, milho e açúcar. Com a chegada das tropas de muares surgiram os armazéns, os entrepostos e as casas de sobrado. Foi criada guarda para engordar o erário régio e entraram em tráfego linhas de barco para o Rio e canoas para o sítio do Couto.

Donos de algumas dessas canoas, havia em 1725 o piloto inglês John Charing e o padre João Alves de Barros. Ambos disputavam prestígio junto a Sua Majestade, requerendo exclusividade na navegação pelo Rio do Couto.

O padre era fazendeiro na região e vigário da Igreja do Pilar. O piloto era natural de Londres e conseguiu imigrar para o Brasil numa época em que não era comum a permanência de estrangeiros livres entre nós.
Mais seguras, eficientes e rápidas do que as outras, as canoas de Charing eram as preferidas dos viajantes. Todos queriam viajar com ele. O tempo foi correndo e seu nome foi se associando indelevelmente, não só ao trajeto que fazia, mas também ao local para onde a cada viagem se dirigia. Por vontade popular e tradição oral, estava assim batizado com o nome de barqueiro inglês, o rio e todo o pé de serra que o cercava.

Convivendo com escravos e mais pessoas, em sua maioria de pouca ou nenhuma instrução, Charing teve seu nome corrompido para Cherém e, posteriormente, corrigido pela ortografia oficial para Xerém. João Xerém casou-se duas vezes e deixou do primeiro matrimônio larga descendência. Muitos de seus netos nasceram na Freguesia do Pilar.

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