Genesis Torres: Um pouco de História

A mesma mazela política até hoje (V)

Por O Dia

Mattoso Maia Forte, em sua obra ‘Memória da Fundação de Iguassú’, descreve que só na Vila “de 11 a 24 de setembro de 1855, 41 escravos haviam pago com a morte o seu tributo ao mal”. A extensão da epidemia trouxe em consequência a ameaça de fome, com o abandono do porto e das lavouras, fazendo com que o governo imperial mandasse víveres para serem vendidos a preço de custo em todas as freguesias da Baixada, acompanhado a médica Paula Cândido, a fim de verificar a extensão do mal.

A chegada do então acadêmico de medicina Luiz de Queiroz Mattoso Maia a São Matheus (Nilópolis) e Cachoeira (Mesquita) — onde ocorreram no mesmo ano 51 casos, sendo 21 graves além de nove mortos — veio minorar o sofrimento daquela gente. Mesmo assim, registrou-se em todo o município 338 casos, dos quais 121 fatais.

Nessas fazendas, os mortos foram enterrados no cemitério junto à capela São Matheus, em Nilópolis. “Devido à quantidade e por serem escravos, foram sepultados em grupos, em grandes valas, envoltos apenas por uma mortalha bastante parecida com sacos de estopa, de cor roxa, conforme pesquisa arqueológica de 1987”, diz Marcus Monteiro, em seu livro ‘A Fazenda São Matheus’.

Brigada de combate à malária Divulgação

Naquela ocasião, foram registrados em Meriti e Jacutinga mais de 64 óbitos, e em Marapicu mais 46, todos vitimados pelo cólera. Segundo o médico Couto Ferraz, “foi nos barcos e margens dos rios, onde primeiro fez explosão a moléstia. A esclarecedora dedicação das autoridades, o exemplar comportamento dos médicos e a rigorosa execução das medidas tomadas para extinguir o mal.

No porto de Iguaçu diminuiu a navegação. Barcos vazios balançavam ao sabor das ondas enquanto os trapiches estavam abarrotados de café, acumulando-se mais de 30 mil arrobas. A ausência do braço escravo devido às mortes ou doenças fez-se sentir durante o resto daquele ano. Segundo Maia Forte, no porto dos Saveiros, à margem do Rio Iguaçu, a epidemia “acometera dois terços dos escravos empregados no serviço fluvial”.

No dia 28 de novembro de 1882, o subdelegado de polícia de Jacutinga notificava à Câmara que havia surgido os primeiros casos de varíola em seu distrito, solicitando na mesma nota que “os portadores de varíola fossem tratados em uma casa longe da povoação, com os recursos necessários”. O livro da Câmara Municipal de Iguassú do dia 24 de setembro de 1883, segundo Waldick Pereira, assinala que as verbas votadas no ano 1878 foram “insuficientes para o socorro aos indigentes atacados de varíola”, e o mal voltava novamente a se alastrar.

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