Por marcelle.silva

A Vila da Estrela surge e cresce como local de passagem e teve papéis múltiplos no escoamento da produção agrícola desde o início de 1700, mas foi com o ouro que ganhou sustentação para fazer seu porto crescer e atrair para algumas centenas de pessoas ligadas às mais diversas atividades.

No porto, foi construída em 1650, por Simão Botelho, a Igreja de Nossa Senhora dos Mares, em outeiro com vista para toda a Baixada e belíssima visão da Serra do Mar — um pouco mais distante, em Bomgaba, a Igreja de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim. Sua importância às margens do Caminho garantiu-lhes importante status e foi elevada a Freguesia no ano de 1677.

Moradias remanescentes da antiga Vila registradas em 1900Divulgação

Era uma igreja no estilo barroco com imponente salão, nave central e arco cruzeiro. Hoje, está em ruínas. Por ela, passaram pelo batismo e casamento grandes figuras do mundo político, social e econômico do Império. Estrela em 1698 através de Alvará passa para a categoria de Freguesia.

O caminho de Inhomirim ou do Proença tinha seus pontos de confluências com os outros caminhos que se interligavam as diversas fazendas localizadas na Baixada. Essas, por sua vez, foram importantes como unidades produtoras e no intercâmbio comercial. Às margens desses caminhos foram assentando as atividades comerciais com lojas e armazéns. Intensificaram o número de tropeiros em direção ao Porto Estrela, a população cresceu durante o Século 18, de um simples arraial vai ganhando corpo de Vila, o Caminho de terra batida agora clama por calçamento.

Para atender tal pedido foi dirigido ao príncipe regente, Dom João, ainda em Portugal, documento pedindo autorização para a realização desaa obra, sendo concedida carta régia em outubro de 1799 pelo vice-rei Conde de Rezende, e confirmada em novembro de 1800 pelo novo Vice-Rei Dom Fernando José de Portugal.

Esse trabalho inicial contou com a colaboração do sargento-mor de milícias Domingos Francisco Ramos Fialho e do capitão Aureliano de Souza Oliveira. “A calçada tinha 30 palmos de largura, segura por três ordens de meios-fios, com suplemento de calçada lateral que os seguram e ao mais corpo da obra”. Sua extensão total era de 8.250 metros.

Pizarro assinala em suas ‘Memórias Históricas do Rio de Janeiro’ que, entre os principais portos por onde se embarcavam “produtos do continente”, os mais importantes eram os da Estrela-Inhomirim, e que no primeiro havia “um arraial belíssimo e acomodavam notável porção de habitantes por todo o ano, sem o menor embaraço de pousada”. Em 1819, Saint Hilaire escrevia em suas notas de viagem que “lugar nenhum lhe havia apresentado tanto movimento”.

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