Por marcelle.silva

Até a década de 1860, a Vila Estrela progredia. Em 1849, contava com seis companhias da Guarda Nacional. Tinha ainda seis médicos, um engenheiro civil, três alfaiates, quatro carpinteiros, um ferreiro e dois padeiros. Sobre a produção econômica, o Almanaque Laemmert de 1859 publicava que naquele ano foi criada a Companhia de Navegação Fluvial a Vapor Niteroi-Inhomirim.

Nos seus dois séculos, a região de Estrela figurou nas estatísticas da Província em lugar privilegiado. Era, na metade do século 19, o 23º município em renda, entre os 47 da Província. Professor Rogério Torres nos diz em “A Estrela que se apagou e o seu Porto inexistente”, referindo-se ao porto que tanta admiração causara a viajantes europeus que visitaram o Brasil, que estava condenado a vários fatores. Mas o primeiro grande golpe foi a inauguração, em 1854, da primeira estrada de ferro do Brasil, ligando o Porto de Mauá, em Pacopaíba, à estação do Fragoso, com l4 quilômetros. Um ano depois, Estrela seria invadida pela cólera morbus, que se espalharia pelo entorno.

A pesar da decadência que ia se processando, Estrela guardava ainda algumas glórias de um tempo anterior à inauguração da estrada de ferro. Tanto assim que, no Almanaque Laemmert de 1883, podemos ler o seguinte: “A salubridade é uma das melhores da parte baixa ou beira-mar da província do Rio de Janeiro, provam-no os mapas trimestrais enviados pelo Reverendo Pároco ao Presidente da Província, e como se vê no obituário do decênio decorrido de 1866 à 1875. (...) O café e as camadas de humos, são fertilíssimas. Produzem muito milho, e principalmente arroz e cana, atingindo esta, em alguns lugares, à altura de cinco metros”.

“As frutas de diversas qualidades, os legumes e mais plantas de horticultura abundam em qualquer parte deste terreno. (...) Em épocas mais felizes, foi o Inhomirim sulcado por grande números de barcos, que levavam à cidade do Rio de Janeiro os produtos da lavoura e indústria das províncias de Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais”.

A abolição da escravidão, que deixou a Baixada Fluminense em quase completo abandono, desfecharia um rude golpe no Município de Estrela. A falta de braços para a limpeza dos rios e para a abertura dos canais de drenagem ocasionou o aparecimento de brejos e, com eles, a proliferação dos mosquitos da malária e de outras doenças. Estrela desaparece pelo Decreto 241 de 9 de maio de 1891, assinado por Francisco Portela, governador do Estado do Rio de Janeiro. Por esse documento transferia-se a Vila de Estrela para a povoação de Raiz da Serra, elevada a Vila Inhomirim.

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