Por marcelle.silva

Na Rodovia Rio-Magé, um pouco antes do posto de pedágio, do lado direito, encontramos uma placa anunciando um pequeno bairro com o nome de Comunidade Estrela. Dali, seguindo uma estrada de terra, à frente chegamos ao Caminho de Inhomirim, ainda com parte do seu calçamento. A história de Estrela começa no fim do século XVI, quando Antônio Fonseca recebeu uma sesmaria às beiras do Rio Inhomirim, região plana, com solo fértil e um rio que transportaria por barcos as mercadorias para as praças do Rio de Janeiro. Esses fatores naturais acabaram por atrair uma significativa quantidade de fazendeiros.

O Caminho de Inhomirim leva ao antigo Porto de EstrelaDivulgação

Em 1650, Simão Botelho mandou erigir no outeiro às margens do rio uma capela em devoção a Nossa Senhora da Estrela dos Mares. O porto e o arraial que se formaram a sua volta, ficaram fazendo parte da freguesia Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim, até 12 de abril de 1698, quando, por alvará, Estrela passou para a Freguesia. A base da economia local estava assentada em muitos engenhos de açúcar e aguardente, mandioca, arroz, milho, feijão, lenha, carvão, madeira, peixe, etc. Essas atividades promoviam a prosperidade rio acima e rio abaixo do porto que ali se formou.

Com a descoberta de ouro, o processo de ocupação e de atividades na região banhada pelo rio Inhomirim-Estrela muda. Por volta dos anos 1700, o metal começa a descer para o Rio de Janeiro pelo Caminho dos Guaianazes até Paraty. Como o trajeto era longo e perigoso, foi aberta outra rota mais curta e menos perigosa, longe da pirataria e que permitia chegar mais rápido à capital da Colônia, o Rio de Janeiro. O bandeirante Garcia Rodrigues Pais inaugurou em 1704 o Caminho Novo do Pilar, também chamado do Couto. Ele descia a Serra do Mar chegando a Xerém, depois Pilar e ganhando o Rio Iguassú.

Mas esse caminho também não era o ideal, por ser muito íngreme e perigoso. Por isso, foi substituído por outro, aberto por Bernardo Soares de Proença em 1724 e que passava pelo Córrego Seco (hoje Petrópolis) descia a serra chegando à localidade de Inhomirim. Seguindo o rio, ganhava a Baía da Guanabara pelo Rio Estrela.

A freguesia criada em 1698 com seu pequeno povoado e com vida dedicada à agricultura, pecuária e pesca, se transforma, então, num burburinho de gente chegando e saindo para a região das minas. Este foi o trajeto em que praticamente desceu todo o ouro em direção ao Rio de Janeiro, de onde foi levado para a Inglaterra, fortalecendo o lastro monetário que iria alimentar a primeira fase da Revolução Industrial Inglesa. Nos próximos capítulos, vamos falar de sua gente e da importância de Estrela no cenário da Baixada Fluminense no Século XVIII.

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