Por marcelle.silva

Se o cinema é para ser difundido, que seja em praça pública. O Cineclube Buraco do Getúlio, criado há oito anos, sairá do Bar do Ananias, próximo ao túnel, no Centro, para o novo endereço: a Praça dos Direitos Humanos, na Via Light. A 172ª edição do projeto — a primeira sessão do ano — será dia 14, às 19h e celebrará o Dia Internacional das Mulheres com filmes, ações culturais e música que abordam o feminismo.

A ideia de criar o cineclube surgiu após um grupo de amigos se reunir para assistir a filmes que não eram exibidos em cinemas convencionais. Sem ter espaço para divulgar seus materiais, os alunos de cinema iniciaram os encontros. Além dos filmes, bandas e poetas integravam o quadro de atividades. Com telões montados no bar, surgiu o Cineclube Buraco do Getúlio, espaço que se propõe a ser aberto à diversidade.

Diego Bion (E)%2C um dos fundadores do cineclube%2C espera receber cerca de 200 pessoas na estreia na praça. As sessões são feitas uma vez por mêsCarlo Wrede / Agência O Dia

Para Diego Bion, fundador do cineclube, a transferência para uma praça significa um remodelação do projeto: “A Baixada está desmistificando a mentalidade de que é apenas consumidora, passando a produzir conteúdo. E Nova Iguaçu está se tornando rico em cultura alternativa. Queremos acabar com esse medo da rua, transformando-a em um ponto de encontro. Fazendo as pessoas se olharem”, explica Bion.

Ainda segundo ele, manter o Buraco do Getúlio não é tarefa fácil. As sessões, que são realizadas uma vez ao mês, contam com a ajuda financeira de parceiros.

Ele revelou que, para levar o cineclube para rua, foi preciso recorrer à iniciativa privada. A mudança está sendo encarada como experiência nova para o grupo, que espera receber cerca de 200 pessoas. “A dificuldade maior é manter o aluguel dos equipamentos. No ano passado, sobrevivemos um semestre com a ajuda do Catarse (financiamento coletivo pela internet). O bom é que ajuda sempre aparece. Esse vai ser a melhor edição do ano. Podem esperar”, garantiu Bion.

A Praça dos Direitos Humanos recebe também, em toda terceira sexta-feira do mês, os poetas do Alma Versada, que usam o espaço para batalhas de rima e rap, com temas sobre preconceito e cotidiano. Em toda primeira sexta-feia do mês, a praça é palco de debates e leituras de poesias.


Evento terá também grafismo, música e lançamento de livros  

Madre Tereza de Calcutá e Maria da Penha. Cada rosto pintado na parede da Praça de Direitos Humanos representa uma edição do Roque Pense, organizado pelo grupo feminista de Mesquita. Para a estreia do Buraco do Getúlio no novo espaço, o grupo, que é convidado do Buraco, deixará a imagem da homenageada do mês, a professora Armanda Álvaro Alberto, militante feminista caxiense, fundadora da primeira biblioteca de Duque de Caxias. 

Segundo Giordana Moreira,fundadora do Roque Pense, haverá também o lançamento de duas coletâneas: ‘Mulheres nos quadrinhos’, com obras de diversas quadrinistas; e um lambe-lambe (colagens de fotografias em espaços públicos) feito somente por mulheres.

A 172ª edição do Buraco do Getúlio contará com a participação do grupo PaguFunk, que dissemina o feminismo através das letras das músicas, e a performance de dança das mesquitenses do AfroFunk.
A cineasta Gabriela Rizo exibirá a mostra de seu filme ‘Com o terceiro olho na terra da profanação’. A produção, que ainda não foi finalizada, conta a vida de três amigas nilopolitanas que lutam contra a opressão na sociedade. “O filme fala sobre incertezas e vontade de agir em um espaço opressor”, diz Gabriela.


Você pode gostar