Por marcelle.silva

A longa estiagem que atinge o Brasil, principalmente o Sudeste, já afeta as cachoeiras da Reserva Biológica de Tinguá. Segundo o gerente de políticas públicas da ONG Onda Verde, Hélio Vanderlei, esta é a primeira vez em 20 anos que a seca provoca consequências na reserva. “Com a estiagem, as florestas não absorvem água o suficiente para aumentar os níveis das cachoeiras”, esclarece.

Para tentar reduzir os efeitos da estiagem, o secretário de Urbanismo, Habitação e Meio Ambiente de Nova Iguaçu, Giovanni Guidone, afirma que medidas foram tomadas para que a situação seja controlada a médio e longo prazo. Uma das soluções apontadas por ele é o plantio de mudas.

“Infelizmente, a falta de chuva tem prejudicado muitas famílias não só aqui, como em muitas regiões do país. Para reverter esse quadro, estamos trabalhando na questão da arborização urbana, que controlará também o clima”, assegura.

Mesmo com o nível de água bem abaixo do normal, as grandes piscinas formadas por pedras atraem centenas de pessoas. E para a criançada, a diversão é garantida, já que não há correntezas.

As crianças foram beneficiadas com redução da força da correnteza Divulgação

Com grandes pedras à mostra, Viviane Dias Duarte, de 8 anos, escolheu uma para ser o seu trampolim. “Eu amei. A água nem está tão gelada. Está melhor do que piscina”, disse a menina enquanto se preparava para mais um salto.

Mas a procura caiu, e a escassez já afetou o comércio local. De acordo com comerciante Mariano da Silva, o número de frequentadores, e de clientes, é a cada dia menor.

Ele diz que o volume atual das cachoeiras é o menor que já viu desde que se instalou em Tinguá. “As correntezas que antes faziam barulhos ensurdecedores, hoje já não existem. Eu tenho essa lanchonete há 34 anos e nunca vi a cachoeira como está”.

Captação de água irregular

O ambientalista Hélio Vanderlei aponta a Cedae como uma das responsáveis pela redução do volume de água nas nascentes de Tinguá. “Se elas produzem, em média, 10 bilhões de litros de água por dia, a Cedae retira quatro bilhões. “Eles deveriam criar um plano de gestão de recursos hídricos para equilibrar a oferta e consumo”, diz o ambientalista.
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Em nota, a Cedae afirmou que não faz retirada de água na região para abastecer outras. E que as pressões na rede estão reduzidas devido à longa estiagem. “A Cedae está realizando manobras para reforçar o abastecimento e aumentar a pressão nas tubulações, mas a solução definitiva serão as obras do projeto Guandu 2, já em fase de licitação”, afirma.
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