Por nicolas.satriano

No início da ocupação colonial, a Baixada era coberta por vegetação exuberante do tipo floresta tropical. Sua destruição começa em meados do Século 19 e se acelera no Século 20. A vegetação aquática marinha estava às margens dos rios que deságuam na Baía de Guanabara. A planície, pantanosa e embrejada, tinha grandes áreas alagadas.

A topografia suave incluía colinas com pouca altitude e morros chamados de meia-laranja. Na extremidade oriental, o maciço do Mendanha-Gericinó e, ao fundo, a grande cadeia de montanhas chamadas de Serra dos Órgãos. A grande quantidade de rios formava o ambiente natural.

O homem que aqui se fixou não desenvolveu economia autossustentável. Ao contrário, procurou reproduzir o modelo colonialista de dependência. A Baixada era região intermediária entre o Rio e o sertão, com posição geográfica favorável no contexto do crescimento urbano. Este luta durante séculos para construir seu espaço urbano como polo de desenvolvimento. A Baixada encontra sua própria razão de ser dentro dessa dicotomia.

Meriti%2C a maior cidade em concentração populacional Divulgação

A Baixada foi residência de uma elite econômica que não tinha compromisso como o seu desenvolvimento. Os caminhos de terra firme partiam do Rio e entrava na Baixada pelas terras de Meriti e se espalhava, formando uma grande malha viária terrestre. Por aqui, passavam as riquezas que vinham de outras regiões, do interior de Minas Gerais e do restante do Brasil.

Com o crescimento, o Rio adquiriu funções como capital política, econômica e cultural em razão de um recôncavo promissor, tendo como seu ponto de apoio as vastas áreas para indústrias e serviços e mananciais de água para abastecimento. Entre o mar e as serras, grandes áreas para loteamentos à população de baixa renda.

Iguaçu, Estrela e Magé, elevados à categoria de vilas, jamais atingiram a categoria de verdadeiros centros urbanos. Essas vilas, como seus portos fluviais, não deveram sua existência às necessidades de organização da capital e sim às necessidades do movimento de mercadorias e de viajantes vindos de regiões distantes.

A falta de planejamento sem continuidade na ocupação do espaço deixaram imensos vazios, que foram sendo ocupados posteriormente. Os sítios e chácaras de ontem viraram terrenos baldios, facilitando a grilagem e a desordem urbana. Historicamente, a espinha dorsal da ocupação na Baixada foram, e têm sido, as vias de circulação: rios e caminhos até meados do Século 19, quando surgem as estradas de ferro.

Antigas fazendas de terras insalubres transformam-se em grandes loteamentos. Hoje, esse crescimento está às margens das rodovias (Rio-Petrópolis, Rio-Teresópolis e Dutra).

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