Por nicolas.satriano

Para ter peças e acessórios exclusivos não é preciso pagar caro ou ir longe. A segunda Puff-Feira Pop vai oferecer hoje, em Nova Iguaçu, opções para quem não segue as tendências do mercado. Dez marcas confirmaram participação no evento, que terá também música e poesia, com Lisa Castro. A Puff será das 16h às 22h, no bar Botequim Estação Floresta, na Rua Floresta Miranda 79, Centro.

Roupas%2C bolsas e estojos serão vendidosPaulo Araújo / Agência O Dia

Além da Brechó Dona Pavão, participarão Joana Dark (roupas femininas em estilo roqueiro), Bendita Ideia (bottons, ímãs e afins), Flower Brechó (brechó e bazar), Emana (roupas), Bonitinha Necessária (estojos, bolsas e bottons) e Dani Ribeiro (bonecos e objetos ligados a religiões africanas) entre outras.

As peças serão vendidas a preço de custo ou metade do praticado no mercado. Adriano Cor explica que a feira surgiu da necessidade de ter um evento focado em moda na região. Segundo ele, a Puff não se limita a seguir tendêndias e prova que a Baixada produz moda urbana criativa.

“Se a Zona Sul do Rio tem a Feira Hype, que reúne marcas famosas de várias partes do mundo, por que a Baixada não pode ter a sua, com suas marcas independentes”, diz.

Uma das expositoras, a fisioterapeuta Renata Vigné conta que sua opção pela arte foi para superar a perda da mãe. Após a morte dela, começou a fazer mandalas (significa círculo em sânscrito). “Comecei a fazer as mandalas como hobby, para conseguir espairecer e desfocar a falta que sentia da minha mãe. E hoje vivo disso”.

Hoje, ela vai oferecer modelos com desenhos geométricos, indianos (Yin e Yang) feitos em vitrais de acrílico. As peças, que custariam de R$ 32 a R$ 279, serão vendidas de R$ 25 e R$ 45. “Vejo a Puff como uma oportunidade de mostrar e vender minha arte na minha região”, comenta Renata.

O artesanato mudou também a vida de Fabiana Pinel, 23 anos. A jovem bailarina, que sofria abusos e agressões do antigo companheiro, encontrou nas guirlandas de flores e imãs de geladeiras com fotos de mulheres e transexuais uma forma de conscientizar homens e mulheres sobre os conceitos feministas. Custam R$ 7 (imãs) a R$ 30 (guirlandas).

O espaço que o bar ocupa também reforça a ideia que a feira propõe: a quebra de paradigmas. O botequim carrega em sua trajetória o apoio à cena cultural da cidade.

As paredes rústicas recebem semanalmente desde samba a rock progressivo. De acordo com a dona, Giselle Egalon, 34, eventos do gênero ajudaram a construir a personalidade alternativa que o bar apresenta. “Amo as intervenções culturais e adorei a última feira”, afirmou a empresária iguaçuana.

Peças de brechó, mas com estilo

Adriano e Priscila%2C produtores do evento%2C sempre visitam brechós no RioPaulo Araújo / Agência O Dia

Com peças de brechós, Priscila Bispo e Adriano Cor, criadores há seis meses da marca Brechó Dona Pavão, estão produzindo, pela segunda vez, a feira que tem o intuito de levar para a Baixada peças que não estão penduradas nas araras das lojas, com preços generosos. “Nós acreditamos na arte como comunicação. E sabemos o quão difícil é manter o estilo aqui na região, sem muito acesso”, afirma Cor.
Priscila e Adriano percorreram diversas feiras de moda do Rio até criar seu próprio evento. Segundo eles, a Puff apresenta ao público marcas independentes, que ampliam o mercado. “As pessoas perguntam: onde você comprou essa blusa? Então, vimos que a Baixada carecia de algo do tipo”, comenta Priscila.

Reportagem Marcelle Bappersi

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