Por marcelle.bappersi

Até a descoberta do ouro, em 1695 em Minas Gerais, a Baixada tinha uma estreita ligação com a cidade do Rio de Janeiro, basicamente pela navegação fluvial com destino ao Cais dos Mineiros (ao lado), hoje Praça 15. Ali, vendiam-se produtos da agricultura, hortifrutigranjeiros, produção de aves e derivados. O excedente, que ia par exportação, eram principalmente o açúcar e a cachaça.

Até o fim do Século XVII, o recôncavo era uma espécie de quintal do Rio de Janeiro, o seu hinterland. Após a expulsão dos franceses do Rio de Janeiro em 1565 e do perigo iminente de novas invasões, tratou o governo português de distribuir terras pelo instituto das sesmarias. As fazendas e engenhos a partir do Século XVII multiplicam–se pela Baixada, localizando–se em áreas de fácil acesso, perto de rios e terrenos salubres. Junto às propriedades estavam as igrejas e as capelas, construídas pelo compromisso da fé.
Pela importância estratégica e o porte da construção, as igrejas viraram sedes de freguesias, distritos com funções religiosas e civis. O povoado surge em torno da igreja e das fazendas, cumprindo o papel colonizador, pela expansão da fé.

Em cada rio%2C havia portos ligados e administrados pelos donos de engenhos e fazendasReprodução

Alguns engenhos e fazendas destacam-se ao longo dos séculos XVII e XIX: Engenho de Nossa Senhora da Conceição na Pavuna; Engenho da Conceição e do Brejo, em Belford Roxo; Fazenda de São Bento do Iguassú; Engenho de Nossa Senhora da Vitoria, Engenho do Calundu e Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista do Pantanal, no Sarapuhi; São Matheus e Cachoeira, em Meriti; Engenho da Covanca, no Sarapuhi; Machambomba, em Iguassú; Morgadio de Marapicu; Engenho da Posse; Engenho de Cristóvão de Barros em Magé e outras.

Os rios que cortam a Baixada foram as vias naturais e por excelência usados intensamente até a metade Século XIX, quando finalmente a navegação foi substituída pelas ferrovias. As rotas terrestres foram construídas e serviram como alternativas de comunicação entre as propriedades rurais e o Rio de Janeiro.
Com a descoberta do ouro, foram aperfeiçoadas e ampliadas. Em 1820, foi criada a Estrada da Polícia, ligando o Rio à região cafeeira do Vale do Paraíba. A Estrada do Comércio na Serra do Tinguá ligava-se diretamente ao Porto da Vila de Iguassú e foi construída para escoar o café.

Em cada um dos rios havia portos ligados e administrados pelos donos de engenhos e fazendas, outros terceirizados. Havia também um grande serviço de canoagem, transportando mercadorias para os portos do Rio de Janeiro e levando-as para eles. Esses produtos abasteciam o comércio local e seguiam com tropeiros para o interior do Brasil.

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