No Morro da Colina, retrato do abandono

Sem saneamento, iluminação pública ou asfalto, região vira um lamaçal toda vez que chove

Por O Dia

O direito de ir e vir foi foi tirado dos moradores do Morro da Colina, conhecido como Morro do DPO, em Austin. A falta de saneamento, iluminação e asfalto limitou a mobilidade de quem precisa subir e descer o trecho. “A impressão é de que o prefeito virou as costas para gente”, diz João Rangel, de 28 anos, que mora na Rua Guapi.

Subida fica escorregadia em dias de chuva. Moradores limitam circulação ao essencial Divulgação

Ele conta que a situação se agrava quando chove. Segundo o morador, após uma obra feita por um vereador, em setembro do ano passado, a passagem de moradores pelo local foi suspensa devido às manilhas mal colocadas, que afundaram e deixaram enormes buracos na rua.
Segundo o morador, o político prometeu urbanizar o morro, mas não terminou as obras. “Minha esposa, grávida de sete meses, só sai de casa para ir ao médico. Não queremos arriscar uma queda no barro escorregadio”, diz.

A região é referência no bairro, já que ali está instalado a Companhia de Polícia Destacada (DPO) de Austin. Ainda segundo Rangel, sem pavimentação, os caminhões de lixo não conseguem fazer a coleta. “A rua já não existe mais. Então, queimamos nosso lixo para evitar acúmulo”.

Ele ainda conta que, sem saneamento, são obrigados a usar água contaminada, por causa da proximidade das tubulações de água potável e esgoto. “Meus filhos, de 4 e 7 anos e minha esposa são vítimas de diarreia e náuseas pelo menos uma vez por mês”, afirma ele.

Prefeitura espera recursos para fazer obras

Em resposta ao O DIA, a Secretaria de Obras de Nova Iguaçu alegou que a Rua Guapi está incluída no projeto de urbanização, mas que espera licitação da Companhia Estadual de Habitação do Rio de Janeiro (Cehab) para iniciar as obras. Em relação à iluminação, a prefeitura garante que enviará equipe ao local para avaliar a situação.

Já a Cedae alegou que foram investidos R$ 3,4 bilhões no programa Água para todos na Baixada, que inclui a criação do Complexo do Guandu II, para beneficiar cerca de 3 milhões de pessoas. E que uma equipe técnica vai verificar a viabilidade de abastecimento do Morro da Colina.

Reportagem Marcelle Bappersi

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