Por marcelle.bappersi

Da Baixada para Itália. Dois jovens meritienses serão os únicos brasileiros a representar o país durante a segunda edição do Circomondo, festival internacional de Circo Social. O evento acontecerá de 26 a 28 de junho em San Gimignano, na Itália, e reunirá representantes de circos sociais do Afeganistão, Quênia, Líbano, Espanha, Itália e Brasil em apresentações circenses, além de palestras, oficinas, workshop, exibição de filmes e desfile pelas ruas de San Gimignano.

O Circo-Escola Benjamim de Oliveira, instalado há cerca de 1 ano no bairro Venda Velha, em São João de Meriti, representará o Brasil no festival. Localizado no parque de eventos do município, na intercessão das ruas Eugênia Menezes e João Antônio Sendas, o Circo-Escola oferece aulas gratuitas para crianças e jovens da Baixada Fluminense. O circo faz parte do projeto Território de Educação para Promoção das Relações Etnico-Raciais (Tepir), da Ong Se Essa Rua Fosse Minha (SER), com patrocínio da Petrobrás, além de apoio da Unicef, de uma organização de cooperação internacional de Viena, na Áustria, e da Prefeitura de São João de Meriti.

“O Circo-Escola social do Se Essa Rua, sempre teve reconhecimento internacional, mas não tínhamos contatos ainda com os grupos da Itália. Quando recebemos o convite, embora tenhamos outras frentes de circo, achamos que era hora de privilegiar a Baixada pelo potencial da região e os grandes resultados alcançados no projeto Tepir. Os professores se reuniram para selecionar dois jovens que combinassem competência técnica com compromisso de multiplicação dos saberes apreendidos no circo. Os nomes foram de Jorge Luiz da Silva Neto e Matheus dos Santos Rodrigues, o Masaro, ambos alunos de acrobacias e malabares”, explica Cesar Marques, diretor do Se Essa Rua Fosse Minha.

Matheus Masaro e Jorge Luiz irão representar o Brasil no Festival Internacional de Circo%2C na Itáliaanderson Santos / Tepir

Os dois jovens, que já embarcam para a Itália na noite de sexta-feira, dia 19, foram surpreendidos com as escolhas. “Quando disseram que havia a possibilidade de dois alunos do circo irem para o festival pensei, que bom, dois amigos meus irão. Anunciaram o meu nome artístico, então demorei para assimilar”, disse Masaro. O jovem de 19 anos, morador do bairro Venda Velha, começou no projeto logo nas primeiras semanas, aprendendo a técnica do tecido.

“Quando me formei em técnico em teatro pela Escola de Teatro Leonardo Alves achei que ainda faltava algo, e o circo veio completar isso. Hoje além de aluno dou workshop de teatro para outros alunos do projeto. Já viajei para outros estados fazendo workshop, mas nunca para o exterior. Esta sendo emocionante”, completa Masaro.

A forma que os artistas circenses de apresentam e acolhem foi o que chamou a atenção do jovem Jorge Luiz da Silva Neto, de 17 anos. O morador do bairro Jardim José Bonifácio viu a oportunidade crescer no Circo Escola de Venda Velha. “Tentei outras profissões, mas me encontrei no circo. É um mundo novo de possibilidades, sem racismo ou preconceito. Quando entrei, em agosto de 2014, as técnicas que os artistas faziam pareciam impossíveis, e hoje faço algumas e quero aprender cada vez mais. É isso que me motiva. Nunca imaginei levar minha arte para fora do País. É uma experiência única e empolgante”, conclui Jorge.

Circo Social

O Circo-Escola Benjamin de Oliveira tem como base o Circo-Teatro idealizado e criado por Benjamin de Oliveira, trapezista, acrobata, compositor, cantor, ator, diretor, dramaturgo e primeiro palhaço negro do Brasil. A lona, com capacidade para 300 pessoas, foi inaugurada no Parque de Eventos do bairro Venda Velha, em São João de Meriti, em 30 de Abril de 2014. O projeto oferece cursos gratuitos para crianças e jovens, além de ser equipamento cultural para apresentações de artistas da região.

O projeto foi um dos seis circos sociais selecionados para se apresentarem na segunda edição do Circomondo, festival internacional de circo social, com os jovens artistas de todo o mundo. O primeiro festival foi realizado em Siena em 2012.

Para os organizadores do Circomondo, o festival tem como um dos objetivos dar visibilidade ao circo social como método pedagógico de integração social.

“O circo social é uma experiência estético-dialógica de cidadania criativa por meio das artes circenses”, completa Cesar Marques.

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