Por marcelle.bappersi

Se fechar a semana com um bom pagode já é gostoso, imagina então uma roda de samba regada a muita sardinha. E, o melhor, distribuída de graça? É isso que se repete às sextas-feiras na quadra da Acadêmicos do Grande Rio, em Duque de Caxias. É para se divertir sem passar fome.

Tradicional desde a fundação da agremiação, há 27 anos, o evento foi promovido até 2005, quando acabou deixado de lado. Em abril deste ano, o diretor-social da escola, Mozart Da Lua, resolveu reeditá-lo e deu super certo: “A comunidade ia curtir pagode longe da Grande Rio. Agora, tem aqui a opção de se divertir fora da época de Carnaval. E não é só eles. Tem gente vindo de vários lugares, tanto do Rio como de outras cidades da Baixada. Estamos com casa lotada toda sexta”.

Além da boa música — sempre um convidado especial e, encerrando a noite, a bateria da Grande Rio, sob o comando do mestre Thiago Diogo —, outro motivo de sucesso, claro, são as sardinhas distribuídas ao público, de graça. Na primeira edição, uma tonelada do peixe esperavam para serem saboreadas e, agora, a cada edição, uma média de 350/400 quilos do peixe são oferecidos ao público, em média, de 3 mil pessoas, que lota o espaço.

Baianas começam a fritar as sardinhas no início do pagode Alexandre Vieira / Agência O Dia

Para dar conta dessa, huuumm, deliciosa tarefa, a presidente da ala das baianas, Marilene dos Anjos, de 59 anos, comanda uma trupe de 20 baianas na cozinha. “O trabalho começa na quinta-feira, por volta das seis da tarde. A mulherada vai chegando dos seus trabalhos e vem direto para cá para limpar as sardinhas. É a parte que dá mais trabalho”, conta Tia Marilene, como é carinhosamente chamada na comunidade.
Até às 22h, a missão é essa: limpar o peixe para que no dia seguinte não seja tão corrido preparar tudo. Na sexta-feira, como o pagode começa cedo, às 18h, as baianas chegam por volta das 15h. É hora de temperar as sardinhas (veja a receita ao lado).

Para que todo mundo saia satisfeito, elas só começam a ser fritas quando começa o pagode. “A gente vai fritando tudo ao longo da noite para que as pessoas comam as sardinhas ainda quentinhas e crocantes”, diz a baiana Jacira Santos da Silva, 64.

Quem já provou garante: elas são uma delícia. “Moro em Tomás Coelho, mas, como minha noiva é de Gramacho, frequento a quadra há anos. O pagode às sextas foi mesmo uma boa opção. É muito legal e, com as sardinhas de graça, melhor ainda”, brinca o professor Felipe Santos, 35.

Thiago Diogo, também é só elogios aos quitutes: “Cara, acho que elas colocam um pozinho de pirlimpimpim nessas sardinhas, sabia? Já fui à feira, comprei, pedi a minha mãe fritar e não ficou a mesma coisa. E olha que a coroa cozinha à beça, também”, diz o mestre-de-bateria.

Enquanto na cozinha quem dá show são as baianas, na quadra o pagode não para. Emerson Dias, intérprete da Grande Rio, comanda a roda num palco 360 graus. “É um grande show. A gente toca de tudo. O importante é animar a rapaziada”, garante.

Thiago sempre encerra o pagode com a Bateria Invocada, como é chamada. Além disso, a cada edição tem um convidado especial. Grupo Raça, Pique Novo, Grupo 100% foram alguns dos que já participaram do pagode.

Escola homenageará cidade de Santos no ano que vem

A Grande Rio já definiu seu enredo para o ano que vem. Com “Fui no Itororó beber água, não achei. Mas achei a bela Santos, e por ela me apaixonei...”, a escola vai homenagear a cidade do litoral paulista, na busca pelo primeiro título.

Não teria como desenvolver o tema sem, claro, falar de futebol. Afinal, no Santos Futebol Clube jogaram o Rei Pelé e os craques Neymar e Robinho. Os três serão convidados a desfilar pela escola.

Mas, apesar de a torcida pela presença deles ser grande, ainda é cedo para dizer se estarão presentes no dia do desfile. Amigo de Neymar, o promotor de ventos David Brazil, que no ano passado foi Rei de Bateria da ‘Tricolor de Caxias’, disse que já convidou o jogador. “Juninho (como ele chama o Neymar) ficou muito feliz e brincou: rapaz, ano que vem sou Grande Rio desde criancinha”.

David não está, porém, muito otimista com a presença do amigo. “Infelizmente, acho que não vai dar, pois estará competindo na Europa”, acredita.

De dar água na boca

Abaixo, veja a receita e as dicas de Tia Marilene, a baiana que comanda a cozinha nos dias de Pagode da Sardinha.

Tia Marlene revela que fazer o empanado com fubá deixa a sardinha mais crocanteAlexandre Vieira / Agência O Dia

INGREDIENTES:
1 quilo de sardinha fresca (a melhor opção é comprar já limpa e em filezinho)
5 limões
1 colher de sal
1 copo de farinha de trigo
1 copo de
fubá

MODO DE PREPARO:
Esprema o limão e reserve o suco em uma vasilha grande. Adicione o sal e misture. A seguir, coloque as sardinhas abertas em filezinho para descansar por meia hora nessa mistura. Em um tabuleiro, misture a farinha de trigo e o fubá. Em seguida, pegue os filés de sardinha e empane na mistura de fubá e farinha de trigo. Agora, é só fritar em óleo bem quente e fogo alto. Assim que retirar, coloque o peixe sobre o papel toalha para que ele fique ainda mais sequinho.

Dica da Tia Marilene: “A sardinha fica crocante porque a gente faz o empanado com fubá. Só isso. Não tem mistério, não. Outra dica legal é colocar um dente de alho, com casca e tudo, na frigideira. Ele evita que o óleo queime. Assim, a gente pode fritar uma boa quantidade sem a preocupação de ter que trocar o óleo várias vezes durante o preparo”.

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