Por marcelle.bappersi

Rio - A Fábrica Santo Aleixo em pouco tempo de funcionamento tornou-se um dos estabelecimentos de maior porte no Sudeste. Em concorrência com os ingleses, conseguiu controlar uma parte considerável dos mercados de tecidos grosseiros de algodão. Além da concorrência estrangeira, a fábrica superou a dos demais estabelecimentos de pequeno porte da região fluminense.

Segundo relatório do 6º Distrito de Obras Públicas da Província do Rio de Janeiro, de 1849, a fábrica tinha cinco pavimentos de madeira, com janelas na frente e nos fundos. Na frente, havia uma torre que terminava num condutor elétrico que protegia o prédio. Além desse edifício, existe outro, também todo de madeira, onde moravam os operários. O maquinário era movido a água conduzida por uma vala.

Fábrica tinha vários prédios%2C incluindo para moradiaDivulgação

Stanley Stein, em “Origens e Evolução da Indústria Têxtil no Brasil entre 1850/18950”, nos diz que havia um selo representativo da fábrica construído sobre fundação de pedra. No prédio principal, bem no estilo colonial das grandes fazendas de café ou dos engenhos de cana, havia três andares de madeira e escoras de ferro, uma torre alta em frente, onde dois sinos convocavam os operários ao trabalho ou para celebrar feriados religiosos na colônia de trabalhadores junto à fábrica, ou ainda para mostrar no seu carrilhão o contentamento com a chegada de algum amigo do dono a empresa, comendador J. Antônio de Araújo Filgueiras e Cia. A fábrica àquela altura não mais pertencia ao grupo americano original.

Além do prédio principal, havia outros situados simetricamente de cada lado da sede da fábrica, formando uma ampla área dominada, ao centro, pela torre. Nas proximidades, ficava a residência do proprietário com um plantel de árvores, de um lado, e um maravilhoso jardim do outro – tudo isso rodeado pelos contrafortes da Serra dos Órgãos. O contraste bucólico com a indústria deixava a impressão duradoura.

Quem entrasse no prédio ficava muito surpreendido ao se deparar com o movimento constante dos 52 teares no primeiro andar. No segundo andar havia vinte armações ou 2.640 fusos. No terceiro andar, estavam as cardadoras, as maçaroqueiras e aparelhos de separar mechas para início da fiação. Havia também oficinas de reparos (ferraria, carpintaria e marcenaria, ferramentas para trabalhar metais e serraria) salas para os equipamentos de descaroçar e outras para engomar e tingir os fios.

Por volta de 1853, com grande produção e lucros, foram adquiridas novas máquinas. Grandes foram as dificuldades para instalação. Mas a Santo Aleixo era exemplo para as demais indústrias têxteis de pequeno porte.

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