Por marcelle.bappersi

Rio - Em tempos de crise, vale tudo para economizar, como conta o mototaxista Moisés Neves, de 38 anos, de Mesquita. Para ele, que sai de casa às 8h e volta às 18h, a hora do almoço é sagrada, mas o preço da refeição pesa no bolso. Com mulher e um filho bebê, o mototaxi está reduzindo gastos para conseguir ampliar sua frota.

Com a inauguração do Restaurante Popular da Chatuba,no dia 13 de maio, na Rua Magno Carvalho 1.302, em Mesquita, Neves, que comprava quentinhas por R$ 15, hoje pode comer por R$ 3,50.

E ele garante que o restante vai para seu “pé-de-meia”. “Estou juntando dinheiro para comprar uma moto nova. Gosto de comer bem. Por isso, gastava por dia R$ 15, até mais. Depois que comecei a comer aqui, já senti uma grande diferença no meu bolso. Meus gastos caíram mais de 70%”, disse o mototaxista.

O projeto Bom de Prato, da prefeitura de Mesquita, visa reduzir os níveis de desnutrição que atingem parte da população carente da cidade. As refeições, com carnes, arroz, feijão, legumes e verduras, são planejadas por duas nutricionistas na cozinha comunitária do município, em Rocha Sobrinho.

Restaurante popular de Mesquita serve até 600 refeições por diaPaulo Araújo / Agência O Dia

Os pratos, distribuídos entre a unidade e o polo na Chatuba, alimentam, em média, cerca de 600 pessoas por dia. Quem é cadastrado no Cadastro Único (CAD) da prefeitura paga R$ 2,50; para quem não está, o preço é R$ 3,50.

Para se cadastrar, é necessário levar à prefeitura carteira de identidade, CPF e comprovantes de residência e de renda .“É um projeto de complementação. Nossa prioridade é atender pessoas que ainda sobrevivem com a renda mensal de até R$ 77”, afirma o secretário de Assistência Social, Rogério Sant’Ana.

A receita gerada pelo restaurante é gasta em alimentos para o projeto. Mas Sant’Ana explica que o programa recebe doações de agricultores da região. “Este mês, tivemos cem refeições doadas. Para o futuro, queremos estabelecer parcerias para que o projeto se expanda e nos permita servir também sobremesas”.

Opção para quem é de outra cidade

Segundo o secretário de Assistência Social de Mesquita, Rogério Sant’Ana, o restaurante atende moradores da cidade e das vizinhas Nova Iguaçu, Nilópolis e São João de Meriti. A doméstica Rosinete Pereira Costa, de 45 anos, de Austin, em Nova Iguaçu, aprovou.

Ela, os três filhos e as duas netas foram visitar seu ex-marido em Mesquita, quando ficaram sabendo da novidade “Quando ouvi falar do restaurante, resolvi conferir. Ficamos receosos pela qualidade devido ao valor, mas não é que a comida é boa”.

Sant’Ana revela que a prefeitura planeja abrir restaurante nos bairros Coréia, Jacutinga e Rocha Sobrinho. “Recebemos pessoas de diversas classes sociais”.

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